segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Pequeno Guerreiro Emanuel e mamãe Tania em Prematuro, a Luta Pela Vida

Nossa história comecou em maio de 2009, quando descobri minha gravidez. Tenho IIC(incompetência do istmo cervical), meu colo nao segura a gestação quado o bebe comeca a pesar. Devido a isso já havia perdido quatro bebê, um deles fiz cerclagem mas não o repouso, então perdi com 24 semanas. Então meu médico me orientou a fazer a cerclagem e repouso absoluto. Com 10 semanas fui para hospital e fiz a cerclagem (cirurgia em que se costura o colo do útero). Voltei para casa e passei a fazer repouso absoluto, cama vinte e quatro horas por dia. Neste período, minha mãe ficava em casa praticamente em tempo integral, agradeço muito a ajuda dela, pois era tudo na cama. Remédios, refeições e banho.

Falava com meu obstetra apenas por telefone. Com 24 semanas fui fazer o ultrasom morfológico, foi a única vez que saí de casa antes do Emanuel nascer. Foi neste exame que descobrimos que teríamos um menino! Graças a Deus ele era perfeito e saudável, mas infelizmente meu colo só estava afinando. O ultrassonografista me orientou a ira para casa e manter o repouso, pois o exame indicava que o parto estava próximo e, em seguida, ligou para meu obstetra relatando a situação. Fiquei apavorada com medo de outra perda.

Voltamos para casa e ainda consegui segurar mais três semanas. No dia 30 de setembro passei mal e fui para o hospital. Foram prescritas medicações para tentar manter a gravidez mas também administraram as injeções para “amadurecer o pulmãozinho” de Emanuel. Consegui manter por mais uns dias quando no dia 6 de outubro de 2009 começaram as contrações fortes. Tive contrações o dia todo, minha irmã estava comigo,  e o espaço de tempo entre elas foi diminuindo.e elas foram diminuindo de tempo. Às 17h a enfermeira me examinou e disse que chamaria meu obstetra pois não tinha mais como segurar a gestação. Chorei muito pois na minha cabeça estava perdendo outro sonho.

Meu médico chegou, me acalmou e fomos pra sala de parto. Às 18h25, meu Emanuel veio ao mundo pequenino com 1,170 quilos e 35 centímetros, mas com muita vontade de viver, tanto que nasceu chorando! A pediatra me mostrou ele e logo o levou pra UTI Neo. Fiquei feliz e ao mesmo tempo com muito medo de ele não resistir. Quando cheguei ao quarto, estavam meu marido, minha irmã e minha sogra e já me deram os parabéns. Fiquei mais aliviada. Naquela noite não vi mais o Emanuel.

No outro dia de manhã, fui a UTI Neo com meu marido, quando cheguei perto da encubadora dele, travei. Não consegui ir até lá pois era tão pequeno, mas tão pequeno, de um jeito que eu nunca tinha imaginado. Mas respirei e fui até ele. Pedi muito a Deus, pois saberia que só Ele poderia dar a vitória de levá-lo para casa! E assim começou a luta do Emanuel. O médicos nos avisaram que ele era um bebê grave e não tinha previsão de quando iria para casa. Teríamos que ter muita paciência e muita fé em Deus. Um dos piores dias foi quando tive alta. Como foi difícil ir para casa e deixá-lo lá, tão pequeno e indefeso. Para piorar, moramos numa cidadezinha do inteiror de São Paulo e o Emanuel ficou internado na cidade vizinha a dezoito quilômetros dali.

Passei, então, a praticamente morar no hospital. Chegava cedo e só ia para casa à tarde. Foram 66 dias de UTI Neo. Eu tirava o leite para ele na hora das mamadas e as enfermeira davam pela sondinha, comecou com 1ml, meu Deus... E o peso, quando ele ganhava 5 gramas parecia que tinha ganho 1 quilo! E quando me diziam que ele perdera 10 gramas, nossa, como era triste. Na UTI Neonatal, aprendemos o valor de 1 grama e 1 mililitro, coisas que no dia a dia nem ligamos.

O Emanuel passou dias difíceis na UTI. Ele nunca precisou do tubo, foi direto para o Cpap e sempre usava o mínimo de O2, mas para desmamar deste mínimo foi muito difícil, foi uma das últimas coisas que ele conseguiu. Foram muitas as intercorrências, fez fototerapia, recebeu alimentação parenteral, teve anemias, fez várias tranfusões de sangue, várias infecções e com 22 dias de vida pesando 1 quilo, o médico nos informou da necessidade de fazer uma cirurgia no coração. Emanuel  tinha PCA (persistência do canal arterial), comum em prematuros, mas o dele não fechou e estava atrapalhando o desenvolvimento dele. Caso não fizesse a cirurgia, o tempo de internamento aumentaria indefinidamente, adiando a ida para casa. Pensei, "meu Deus, o Senhor me deu com vida, será que vai levá-lo agora?"

Fomos pra São José do Rio Preto, pois na cidade em que ele estava, Assis, não tinha cirurgião cardíaco pediatra. Tudo correu bem, operamos numa quarta e sexta já estávamos de volta numa sexta. Todos me tranquilizaram, dizendo que agora seria mais fácil, ganharia peso e quem sabe passaríamos o Natal em casa! Fiquei feliz por quatro dias, até Emanuel contrair uma nova infecção. Voltamos a estaca zero. Ele já estava mamando 20ml na sondinha, teve que fazer jejum e voltamos a 3ml... Mas ele venceu mais essa! Acho que o Emanuel era mais forte do que eu, pois eu vivia desabando em choro! E aqueles sons da UTI Neo eram uma tortura, tantos bips... Como é duro ver um filho da gente naquela situação. Via os bebês nascendo com três quilos, indo para casa e pensava por que o meu tanto sofrimento?  Mas ele foi um guerreiro, venceu mais essa infecção e depois disso foi ganhando peso. Lembro quando um dos médicos me disse que naquele final de semana teríamos a "festa do 1,300 quilos"!

Depois que atingiu esse peso, ele só se desenvolveu. Passou a ser estimulado a mamar no peito, eu podia ficar mais tempo com ele no colo, só o O2 que ainda não conseguia ficar sem. Devido ao nascimento muito antecipado, Emanuel teve displasia broncopulmonar, o que atrapalhava muito. No começo de dezembro ele estava ótimo, estava na UTI apenas pela dependência de O2, o que não demorou muito. Fomos, então, para o quarto, onde ficava com ele todo o tempo e para que Emanuel se adaptasse fora do ambiente da UTI. Ele estava com 1,600 quilos. Tive que aprender a dar banho, dar de mamar, enfim, essas coisas de mãe que normalmente se faz com bebês de três ou quatro quilos.

Foram mais dezoito dias, quando finalmente, no dia 29 de dezembro 2009, o levamos para casa. Nosso lindo bebê Emanuel com 42 centímetros e 1,885 quilos. Foi o dia mais feliz da minha vida! Finalmente levar meu filho para casa! Hoje o Emanuel já está com 2 anos e 4 meses. É um lindo garoto saudável, arteiro, tagarela e às vezes birrentinho, como toda criança. Quem não sabe da história não fala que ele nasceu tão pequeno e passou por tantas dificuldades.

Agradeço a todos, médicos e enfermeiros, que foram anjos que Deus colocou no nosso caminho, que cuidaram do nosso bebê e me deram muito apoio. Ao meu marido, que me apoiou incondicionalmente. À minha família e à comunidade da minha cidade. Por ser uma cidade pequena, muitas vezes pessoas que eu não conhecia me paravam na rua para dizer que  estava orando por Emanuel. Agradeço muito também às mamães de prematuros que me ajudaram muito naquela época. Espero que compartilhando minha história possa ajudar as mamães que estão passando por isso agora. Não percam a fé, pois esses bebezinhos que parecem tão frágeis, são, na verdade, grandes guerreiros que lutam pela vida! E nosso Emanuel é um deles! Emanuel, a vitória da vida.


Quer ler aqui a história de seu bebê? Mande um e-mail com fotos e autorização para: pequenosguerreiros@hotmail.com.
Todas as histórias são editadas antes de serem postadas.
O Projeto Pequenos Guerreiros apoia a amamentação do prematuro ao seio.
Não nos responsabilizamos pela veracidade dos fatos.
O Projeto Pequenos Guerreiros é a favor da liberdade de credo.

Um comentário:

  1. Ele é o petinho mais lindo do mundo rsrs.
    Cunha, vc disse que ele é birretinho!
    Birretinho??? rsrsrs.
    Ele é birrento, arteiro, mas mtoooooo inteligente, super corajoso (absolutamente não tem medo de nada), vitorioso, ele é nosso milagre de Deus.
    Amamos mto!!
    Que Deus continue abençoado, lhe dando mtaaa saúde para fazer mais artes ainda.
    Bjokas

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