quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Pequenos Guerreiros Maria Beatriz e José Enrico e mamãe Renata em: Prematuro, a Luta Pela Vida

Irmãzinha do José Enrico:
a fofa da Mabi!
A introdução desse relato foi escolhida pela própria mamãe Renata e não precisa de complementação alguma: Maria e José: meus amores em pouco mais de 800 gramas!

Sempre tive o grande sonho de ser mãe, me casei muito jovem com 17 anos apenas e acabei adiando um pouco esse sonho em busca da vida profissional. Com oito anos de casados resolvemos que havia chegado a tão sonhada hora e iniciaram-se as tentativas. Durante anos realizando exames foram várias as descobertas: útero bicorno, ovário policístico e um cisto no ovário esquerdo. Meu médico sempre com muito amor me dizia que a hora chegaria. Fiz uma cirurgia pra retirada do cisto do ovário esquerdo, porém, meu GO me aconselhou a não mexer no útero visto que poderia não ser uma cirurgia totalmente reparadora e poderia prejudicar uma futura gravidez.

Com 29 anos de idade, 12 de casada e muita esperança, em meados do mês de outubro de 2011, finalmente recebemos nosso positivo, depois de um longo tratamento. Nossa! Foi o dia mais feliz de nossas vidas! Sabíamos que finalmente teríamos o filho tão desejado. Alguns dias depois meu GO solicitou uma ultrassonografia e mais uma surpresa: eram gêmeos! Duas novas vidas crescendo dentro de mim, ficamos resplandecentes com tamanha alegria! Os dias se passavam e eu diante da realidade da gravidez tão esperada me vislumbrava com a ideia da maternidade que agora fazia parte de cada minuto da minha vida.

Tudo corria bem até que com 11 semanas de gestação tivemos o primeiro susto, era um sábado e me levantei me sentindo muito bem, porém, qual não foi nossa surpresa quando percebi um pequeno sangramento e uma leve alteração da pressão arterial. Desesperados, ligamos para o médico, que sempre foi mais um pai e amigo, do que propriamente um médico e explicamos o que estava acontecendo. Em seguida ele pediu repouso absoluto, deitada do lado esquerdo e que eu entrasse com uma medicação chamada Inibina de 4 em 4 horas. Graças a Deus com o repouso e a medicação o sangramento cessou e logo estava bem de novo. No entanto, ele não permitiu que eu voltasse a trabalhar e nem que fizesse esforço de tipo algum. Solicitou que eu ficasse em casa e procurasse repousar bastante, tomar bastante líquido e fazer de tudo para ter tranquilidade, afinal, eram dois bebês.

E assim seguiram meus dias, em casa a espera de meus bebês. Duas semanas após o ocorrido fiz nova ultrassonografia e tivemos a primeira surpresa um dos bebês era um menininho. Nossa! Que felicidade: Nosso José Enrico estava a caminho. A essa altura as crianças já começavam a mexer e eu quase explodia de felicidade! Procurei me cuidar muito em todos os sentidos, para que minhas crianças nascessem saudáveis. Porém, com 15 semanas mais um susto, comecei a ter um corrimento como uma borra de café. E acreditem isso entre as festas de Natal e Ano novo. Mas uma vez, repouso e medicamento, porém, desta vez, além, da Inibina, meu médico recomendou o uso de progesterona. Segui as orientações à risca, porém, a partir dai, hora estava tudo bem, hora começa novamente o corrimento e o medo do que poderia acontecer.

O tempo foi passando e em meados de janeiro, realizamos mais uma ultrassonografia e a felicidade se tornou completa: tínhamos também uma menininha, ou seja, esperávamos um casal. Maria Beatriz e José Enrico! Nossos amores! Neste exame descobrimos também que devido ao útero bicorno, uma das placentas estava numa posição bem próxima do colo do útero, a chamada “placenta prévia” e que isso poderia ser a causa dos sangramentos e do corrimento. Apesar do corrimento constante e também das dores nas costas, me sentia bem e meu médico sempre dizia que meus bebês estavam se desenvolvendo muito bem. O que me ajudava a manter a calma e a tranquilidade.

No inicio de fevereiro, mais exatamente no dia 9, fui à consulta de pré-natal do quinto mês, por incrível que pareça eu me sentia ótima e minha barriga estava crescendo bastante o que me deixava ainda mais feliz, afinal, meus bebês estavam crescendo e se aproximava cada vez mais o momento de ver o rostinho de cada um deles. Durante toda a consulta meu médico ficou admirado de como eu estava bem e analisando a ultrassonografia me disse que minhas crianças já passavam das 600 gramas e estavam muito bem. No dia seguinte, me levantei, realizei minha rotina normalmente e continuei de repouso como de costume, recebi visitas na parte da tarde e voltei a repousar. Entre as 18 e 19 horas, comecei a sentir um calor muito forte e as famosas dores nas costas, voltei para cama e permaneci deitada por algumas horas. Mas tarde já me sentindo bem, levantei-me pra comer. Quando terminei de me alimentar, senti uma ligeira vontade de fazer xixi. Mal sabia eu que ai começa a luta pela vida de meus bebês. Chegando ao banheiro, um susto bem maior, estava com um sangramento bem acentuado. Corri para cama e mais uma vez ligamos desesperados para meu médico, que pediu repouso absoluto e passou as medicações para a cada duas horas.

Fiquei em observação pelo amor da minha vida, meu marido, durante toda a madrugada, e assim ele mantinha contato com meu médico. Infelizmente dessa vez o sangramento não cessou. Fui internada as pressas com medicação venosa por cinco dias. Em seguida recebi alta, porém, sem poder levantar da cama. Meu médico recomendou que eu não levantasse mais, nem para tomar banho e assim, tentaríamos segurar a gravidez por pelo menos mais oito semanas. Voltei para casa na terça-feira dia 15 de fevereiro, porém, para minha tristeza já na quarta-feira à tarde o sangramento voltou com força total e passei mais uma noite de desespero. Até que às seis da manhã meu médico achou melhor que eu voltasse para o hospital. Ao me examinar meu médico percebeu que eu estava em trabalho de parto e já tinha dois centímetros de dilatação. Ainda assim, ele aumentou a medicação e realizou uma ultrassonografia onde houve a confirmação de que o problema era a placenta prévia e, além disso, devido ao útero bicorno não havia mais espaço para os dois bebês, porém, ainda tentaríamos segurar mais um pouco. Mesmo com a medicação o sangramento não cessava e, portanto, sem que eu soubesse meu médico explicou ao meu marido, que não havia mais o que fazer, eu estava em trabalho de parto já com dilatação e um dos bebês estava começando a sofrer por que estava do lado de cima sendo pressionado pelo bebê debaixo. Optaram por não me falar nada para que eu passasse uma noite tranquila e logo pela manhã me diriam que eu faria uma cesárea.

E assim aconteceu, na manhã do dia 18 de fevereiro de 2011, recebi a noticia como uma bomba e chorando fui encaminhada ao centro cirúrgico sem saber o que poderia acontecer dali para frente. Às dez horas e cinquenta e dois da manhã, vinha ao mundo minha princesinha Maria Beatriz com 860 gramas e 37 centímetros e em seguida às dez horas e cinquenta e três meu principezinho José Enrico com 835 gramas e 35 centímetros. Maria chorou ao nascer e estava com o pulmãozinho mais fortalecido, porém, meu José não chorou, pois estava um pouco menos fortalecido.

Saíram direto para a UTI neonatal, sem que eu os pudesse ver, onde passaram pelos primeiros procedimentos de intubação, pois, ainda não conseguiam respirar sozinhos e também dessecamento de veia para medicação e alimentação venosa. Os médicos deixaram claro que as primeiras 72 horas eram decisivas, se aguentassem poderia haver chance de vida. Foram os dias mais longos da minha vida... Eles nasceram em uma sexta-feira e isso significava aguentar até segunda-feira. Nossa! Para mim foi um período extremamente angustiante, acho que dentro do meu coração eu sabia que não seria nada fácil o que ainda estava por vir... Quando pude me levantar, fui com meu marido a UTI, para conhecer meus pequenos. Quando cheguei diante das incubadoras, um turbilhão de sentimentos estava dentro de mim. Foi a maior emoção que senti na minha vida, eram tão lindos. Eram pequenos, frágeis, mas para mim as crianças mais belas do mundo.

Os médicos da UTI, explicaram as batalhas que eles precisariam vencer, e nos comunicaram que permaneciam estáveis até aquele momento. Continuei internada, e sempre ia até a UTI para vê-los, no domingo à noite, durante a visita, o médico nos informou que nosso José estava em choque devido à prematuridade do pulmão e o surfactante que vinha sendo administrado. Voltei para o quarto inconsolável, pensando em Deus e implorando sua ajuda. As enfermeiras me medicaram, para que me acalmasse e dormisse.

Infelizmente às cinco da manhã, me acordaram com a notícia, meu filhinho amado não havia aguentado devido a uma hemorragia pulmonar. Meu coração e minha mente ficaram dilacerados... E agora quanto tempo minha menina aguentaria? Era só o que me passava pela cabeça. Recebi alta naquela manhã e fomos eu e meu marido cuidar dos detalhes do enterro de nosso filho. Foi um dia longo, triste e ainda assim, tínhamos que ter cabeça para voltar ao hospital e ouvir dos médicos sabe Deus o que sobre a situação de nossa menina. Naquela noite quando chegamos ao hospital, estava de plantão a médica chefe da UTI, Dra. Daniele, e era a primeira vez que eu a via. Perguntei sobre o estado de minha Maria e veio à palavra que aterroriza a todos os pais de UTI: “estável”! Chorando desesperadamente implorei a Dra. Dani que salvasse minha filha. Ela com muita delicadeza me abraçou e chorou comigo, me disse que a salvaria. Jamais em toda a minha vida vou me esquecer daquele momento. Uma médica jovem, que nunca havia me visto, age com o carinho de mãe a uma mãe desesperada. Sai da UTI naquela noite inconsolável, pensando em quanto tempo duraria toda aquela angustia para que minha pequena pudesse sair dali sabe Deus como.

No dia seguinte, chegamos eu e meu marido, para a visita, nossa mais um susto, tinham retirado a incubadora de nossa pequena do local onde estava e colocado em uma salinha separada, chamada de isolamento. Meu Deus meu coração quase explodiu, fiquei pensando porque e as médicas me explicaram que seria melhor para ela pra não correr risco de contaminação com os outros bebês. Fiquei mais aliviada, porém, ainda assustada, afinal não sabia o que ainda poderia acontecer. Minha Guerreira, Maria, ficou na UTI por 84 dias e mais 2 dias no quarto para a adaptação. Nesses 84 dias foram muitas as intercorrências: ficou intubada por 30 dias, até que ela mesma se estubou, mais um período no CPAP, um ou dois dias no ALO e um bom tempo com oxigênio circulante na incubadora, com 8 dias de nascida superou uma parada cardíaca devido ao entupimento da cânula que levava o oxigênio. Além disso, superou um sangramento cerebral grau II, um canalzinho no coração devido à prematuridade extrema, algumas transfusões e muitas, mais muitas apneias causadas também pela prematuridade. Foram dias longos dentro daquela UTI, porém, cheios de esperança, de uma esperança que movia meu coração a acreditar que levaria minha pequena para casa com saúde e paz.

Quando ouvia de outras mãezinhas de UTI, que toda angustia chega ao fim, ficava meio duvidosa, porém, o tempo passou, minha Maria teve alta no dia 15 de maio com 2,050 grs., com as graças de nosso bom Deus não ficou com nenhuma sequela. É uma menina linda, cheia de vida, sorridente e serelepe. Hoje ela tem pouco mais de nove meses e já esta com quase 8 kg e 68 centímetros, já senta sozinha e dá gargalhadas a vontade. Faz dos meus dias os mais felizes e da minha vida a mais colorida... Sempre digo que tenho dois filhos, afinal eu tenho mais Jesus vendo tamanha beleza quis um pedacinho de nós para ele e compartilha conosco as maravilhas e as bênçãos de Maria na terra e de José ao seu lado no céu.

Passei várias experiências durante esses 84 dias de UTI e mais 2 de hospital, mas uma vale ser lembrada, a fala da amiga de sempre a psicóloga Eloisa que cuida e ajuda a todas as mãezinhas da UTI: “A UTI neonatal não é o fim, mais sim o começo!” Valeu Elô, valeu mesmo!

Para finalizar gostaria de registrar aqui alguns agradecimentos muito importantes: A Deus que jamais me abandonou em nenhum momento, a meu marido lindo, companheiro de todas as horas e amor da minha vida, ao GO Dr. Gustavo Gelás, pai, amigo e companheiro e a uma turma maravilhosa, inesquecível “toda equipe da UTI neonatal da Associação Beneficente Hospital Universitário da Unimar de Marília – SP” pelo carinho, pelo companheirismo, pela amizade, pela compreensão e mais do que tudo pelo cuidado com a minha Mabi, vocês possibilitaram que eu fosse mãe integralmente... muito obrigado! E ainda a todos os médicos desta UTI a quem eu sito como representante a Dra. Daniele Garbelini, neonatologista e pessoa esplendorosa, que cuida de seus “cisquinhos” como objetivo de sua vida, possibilitando a cada mãezinha a esperança de um colo repleto de alegria e ainda a Dra. Jordana Domingues companheira incansável na caminhada da minha Maria fora da UTI e amiga de todas as horas... muito obrigado! Amo vocês duas no fundo do meu coração eternamente!

E a todas as mãezinhas que hoje enfrentam a solidão e a esperança de uma UTI neonatal, peço que sejam perseverantes na fé e lembre-se: “a UTI neonatal não é o fim, é o começo... independente de quanto tempo demore”. Beijos carinhosos no coração de cada uma de vocês!


Editado por Monica mãe de Beatriz

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