segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Pequeno Guerreiro Arthur e mamãe Danielle em: Prematuro, a Luta Pela Vida

Arthur crescendo...
mais um pouco e adeus cadeirinha!
O relato de hoje, além de ser mais uma incrível história de superação, é um grande exemplo do quão importante é o ato de dor leite! A mamãe Danielle moveu céus e terras, em suas próprias palavras, para não privar o Pequeno Guerreiro Arthur das benesses que só o leite humano proporciona a um bebê. Amamentar um prematuro extremo não é tarefa fácil, encontramos muitas barreiras na produção de leite. Se você pode, ou conhece alguém que pode, incentive a doação. Doe leite! Doe vida!

Sou Enfermeira em uma maternidade pública para gestantes de alto risco, e trabalhei por cinco anos na UTI Neonatal, até que devido às sobrecargas de trabalho (adquiri hérnias de disco e tendinites), fui transferida para um setor "menos estressante" (enfermaria obstétrica). Enfim, após dois anos de casamento resolvemos liberar para a chegada do nosso bebê. Uma gravidez muito desejada, muito planejada e muito esperada! Tudo corria bem, dentro do esperado, até que com 24 semanas minha coluna começou a doer muito, mas eu ia agüentando, fazendo de conta que a dor nem estava ali. Até porque estávamos com viagem marcada para a semana seguinte, íamos para os Estados Unidos terminar o enxoval do Arthur.

Nos dois dias que antecediam minhas férias, estávamos com 24 semanas e meia, saí do trabalho e fui ao shopping com a minha mãe tomar um sorvete. Ao chegarmos senti um chute forte do Arthur e alguns segundos depois uma pressão na vagina, minha bolsa tinha rompido em pleno shopping! Entrei em pânico, esqueci de tudo que aprendi sobre aminiorrex prematura (que é deitar e não se mexer para evitar que saia mais líquido) e saí correndo para o banheiro e a água escorrendo pelo chão. Liguei para meu obstetra chorando e ele mandou que fosse ao seu encontro no hospital. Quando o doutor viu a situação, colocou a mão na testa e disse: “Putz! Não acredito!” Ele me internou imediatamente e a partir daquele momento fiquei em repouso absoluto para tentar não perder mais líquido. Fazia todas as necessidades na cama. Quando fiz o ultrassom, o líquido estava com 10% e o bebê estava tudo bem apesar de tudo.

Ficamos no aguardo, a expectativa era que conseguíssemos aguentar pelo menos mais quatro semanas. Porém uma semana depois, comecei a sentir contrações à noite, mas achava que eram gases e só pedia medicamentos anti-gases ao pessoal da enfermagem. Até que na madrugada, pedi ao meu marido me trazer a aparadeira para fazer xixi. Ao me limpar, senti o cordão umbilical saindo. Minha mãe levantou para olhar e quase desmaiou. Correu, então, para chamar o pessoal da enfermagem. Foi aquele auê. Ligaram para o meu médico, que foi maravilhoso e em menos de quinze minutos atravessou metade da cidade e chegou. Ao examinar ele notou que a perninha do Arthur também já estava saindo junto com o cordão, o que ajudou a não estrangular o cordão e prender a circulação de sangue para ele. Fomos imediatamente para o centro cirúrgico, pois a cesárea seria melhor para o Arthur.

Às 6h29 nasceu o Arthur, pesando 795 gramas. Chorou fraquinho, mas chorou! Foi um alívio! Na hora, como enfermeira de Neo, o pensamento que me vinha a cabeça só era pedir "Por favor entube logo!" só ficava repetindo mentalmente. Não sabemos o quanto ele media ao nascer, pois devido as circunstância acharam melhor não tirar as medidas e priorizar o suporte respiratório dele. Aí começou nossa jornada de 4 meses dentro de uma UTI neonatal.

Todos os dias, estávamos lá atentos a tudo e dando força ao nosso guerreiro. A primeira vez que o pai foi vê-lo, logo após o nascimento, ele agarrou o dedo dele. Uma mãozinha tão minúscula... Algumas pessoal diziam “é mais fácil porque você é da área”, mas eu garanto nunca deve ser fácil uma situação como essa. E acho que é pior ser da área, pois você sabe exatamente todos os riscos que seu filho está correndo ali, vê todos os erros e muitas vezes tem que calar. Vê falta de estrutura e tem que mover céus e terras para conseguir dar o melhor possível ao seu filho. O que não tinha no hospital, e que eu soubesse que era melhor para o tratamento do meu filho, saía procurando em todo lugar para conseguir para ele. Muitos amigos nos ajudaram, posso dizer que tivemos tratamento diferenciado por eu ser enfermeira e ser colega de trabalho de alguns pediatras que também cuidaram do meu filho. Amigas enfermeiras que foram ao hospital realizar o PICC no meu filho, que é um tipo de cateter para acesso venoso que tem uma durabilidade maior, para não precisarem ficar furando direto para fazer medicações e soro. Neste hospital não tinha pessoal treinado para tal procedimento. Não era o hospital da minha escolha, mas devido às circunstâncias emergenciais, tive que ficar lá. Foram inúmeras infecções, transfusões sanguíneas, e uma jornada árdua em busca de doação de leite materno. Pois com todo esse estresse e sem estímulo da sucção, meu leite secou rápido. Passava o dia todo entre as visitas ao Arthur na UTI e quando saía de lá, ia em busca de doadoras de leite para levar para pasteurizar no banco de leite para meu filho tomar. Tínhamos medo que, usando leite artificial, ele pudesse ter algum problema gástrico.

O primeiro mês foi o mais difícil de conseguir mantê-lo no aleitamento exclusivo, tinha dias que chorava muito, com medo de não conseguir a quantidade suficiente de leite no dia seguinte. Mas a partir do segundo mês, foi ficando mais tranquilo. Conseguimos cada vez mais doadoras e algumas com muito leite mesmo! Uma delas doava quase um litro de leite por dia! Ao todo foram cerca de trinta doadoras para manter o aleitamento exclusivo no meu filho por quatro meses. Tenho certeza que foi um esforço que ajudou em muito na sua recuperação. Arthur ficou entubado por três meses. Eu já estava me desesperando por ele não conseguir ficar fora do tubo, então falei com uma amiga que é pneumopediatra, inclusive é a atual pediatra do Arthur, e ela ligou para uma das colegas que trabalham no hospital em que ele estava e sugeriu uma medicação, que, inclusive, ele usa até hoje devido à broncodisplasia que ficou desse tempo entubado. Após uma semana usando o novo medicamento, Arthur saiu do tubo. Foi maravilhoso poder pegá-lo nos braços mais vezes, em três meses eu o havia pegado nos braços apenas duas vezes. Ele ainda ficou mais umas três semanas dependente de oxigênio por cateteres.

Quando ele atingiu 1,300 quilos, comecei a fazer método canguru com ele. Instalei uma rede dentro da incubadora, mesmo no oxigênio, colocava músicas e tudo que fosse possível para estimular a melhora dele. Até que finalmente chegou a 1,700 quilos, e já sem oxigênio, nos deram alta da UTI. Ficamos uma noite no apartamento do hospital e na manhã seguinte fomos para casa!

Apesar de todos os riscos, Arthur saiu praticamente sem nenhuma sequela além da broncodisplasia leve e leve hidrocefalia, que já reabsorveu. Nenhuma sequela oftalmológica ou neurológica. Ele está com 8 meses agora, há quatro meses em casa, já teve alta da oftalmo, da neuro só vai ficar acompanhando a cada seis meses e está fazendo fisioterapia com estimulação precoce a cada dois dias. Já rola sozinho no berço, está começando a sentar e se alguém perguntar a ele “cadê a mamãe?” ele olha logo para mim! Tão lindo! Estamos muito felizes e orgulhosos do nosso guerreiro! Os débitos com Deus e os santos são muitos, mas vamos pagando aos poucos!


Editado por Monica mãe de Beatriz

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