segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Pequena Guerreira Alexia e mamãe Ketty em: Prematuro, a luta pela vida

As bravias Alexia e mamãe Ketty!
Alexia é o pequeno milagre da mamãe Ketty, que mesmo correndo o risco de perder seu útero, optou por dar alguma chance de sobrevivência à bebê. Acompanhe o generoso depoimento de bravias mãe e filha.

Nossa história começa em novembro de 2009, quando descobrimos que a Alexia estava a caminho. Foi uma felicidade muito grande, pois minha mãe estava muito doente e não tinha nenhum netinho. Uma de suas grandes angústias era saber q iria partir e não conhecer nenhum neto. Foi uma grande emoção para todos nós, principalmente para minha mãe!

Tive uma gravidez tranquila, trabalhava, ajudava minha mãe em casa... Estava com 24 semanas de gestação quando minha pressão começou a subir. Durante duas semanas, tentamos controlar em casa, com medicamentos e um pouco de repouso. Eu não conseguia ficar quieta, queria ficar o máximo de tempo possível com a minha mãe. Com 26 semanas, fui a uma consulta com o obstetra, que me pediu para fazer uma ultrassonografia urgente no outro dia. Durante o exame, o médico me pareceu muito preocupado. Ligou para meu obstetra, que orientou ir direto para a maternidade e me internar. Minha pequena estava em sofrimento, sem líquido amniótico e sem receber os nutrientes de que precisava. Fiquei desesperada. Pior que justamente nesse dia, minha mãe estava fazendo uma entrevista com o médico oncologista para decidirem a data do transplante de medula, que talvez pudesse salvar sua vida! Nada nesse mundo faria minha pressão baixar de novo.

Fiquei deitada numa maca no pronto socorro das 14h às 22h. E era um tal de entra e sai de médicos e enfermeiras que só aumentavam minha angústia. Às 22h meu obstetra chegou e fomos conversar. Ele me disse, bem sério, que tínhamos duas opções: ou tentávamos tirar a Alexia naquele momento para que talvez pudesse sobreviver ou esperávamos mais um pouco e tirávamos a bebê sem vida no dia seguinte. Caso optássemos pelo parto imediato, eu poderia ter uma hemorragia e perder o útero. Além de nunca mais poder ter filhos, não havia garantias de que ela sobrevivesse ou não tivesse seqüelas.

Vi meu mundo girar nessa hora. De tudo que ele me disse, a única coisa que eu ouvi foi "ELA VAI SOBREVIVER". Fui direta e perguntei objetivamente se havia alguma chance de sobrevivência, se houvesse, faríamos o parto naquela mesma hora. Às 23h18 do dia 9 de abril de 2011, Alexia veio ao mundo por uma casárea, pesando apenas 560 gramas e medindo 28 centímetros.

Eu nem pude ver minha bebê. No momento que ela foi tirada da minha barriga, já foi levada direto para a UTI Neonatal. Meu pai, minha mãe e meu marido ficaram no hospital até as 4h da manhã, aguardando notícias. Fiquei na UTI por três dias tentando estabilizar minha pressão, que chegou a picos de 22x18. No terceiro dia, fui para o quarto e finalmente pude ver minha pequena, até então só tinha notícias através de meu marido e dos médicos. Diziam que ela estava bem, que estava lutando bastante, mas, não me diziam o quão pequena ela era. Uma enfermeira me levou até a UTI Neo. Chegando lá foi um choque muito grande. Nunca podia imaginar que minha pequena era TÃO pequena assim. Ela cabia na palma da mão! De tão magrinha, dava para ver o coraçãozinho batendo por baixo da pele. Todos aqueles tubos e fios naquele corpinho tão pequeno, foi um choque muito grande. Pensei: "meu Deus! O Senhor que é tão grande, põe tua mão em minha vida, faz um milagre!" E, assim, a cada dia, Deus me mostrava mais e mais Sua grandiosidade na vida de quem Nele crê.

Eu tive alta no dia 14 de abril. Alexia devia ficar um pouco mais: foram 92 dias de internação, chegando a pesar 490 gramas. Foram 28 dias entubada, respirando com aparelho. Ao alcançar 750 gramas, os médicos resolveram tirar o tubo para ela respirar sozinha. O esforço foi grande e houve uma hemorragia cerebral grau II, que evoluiu para leucomalácia, porém até hoje não apresentou nenhuma seqüela e parece que não terá.

Foram 20 dias com o CPAP e 40 dias com oxigênio. Todos os dias eu ligava para minha mãe e falava: "Mãe, hoje a gordinha está pesando 580 gramas, 600 gramas..." era a maior alegria para ela! Às quintas-feiras havia visita dos avós. Minha mãe pôde finalmente conhecer sua neta. Foram cerca de cinco visitas, mas dia 21 de junho de 2010, Deus resolveu que era hora de levar minha mãezinha e fazê-la parar de sofrer.

No dia 10 de Julho a Alexia teve alta, pesando dois quilos! Foi uma mistura de emoções tão grande que não há como descrever. A dor da perda da minha mãe, a alegria da chegada da Alexia em casa...

Hoje a Alexia está com 1 ano e 6 meses e é uma criança muito esperta, carinhosa e alegre. Faz fisioterapia duas vezes por semana. Ainda não anda sozinha, morre de medo, mas engatinha que é uma beleza! Parece um furacão! Quando quer atenção, joga tudo no chão, grita e faz bagunça até conseguir! É uma tagarela! Fala, fala, fala! Ainda não entendo nada, mas que ela fala, ah, ela fala! É uma criança normal!

Agradeço muito a Deus pela nossa vitória e especialmente a todas as mamães de prematuros que conheci durante esse tempo. Elas me ajudaram muito... Por isso, sempre que posso, retribuo contando minha história, para ajudar às outras mamães que estão passando por isso.


Editado por Monica mãe de Beatriz

Quer ler aqui a história de seu bebê? Mande um e-mail com fotos e autorização para: pequenosguerreiros@hotmail.com.
Todas as histórias são editadas antes de serem postadas.
O Projeto Pequenos Guerreiros apoia a amamentação do prematuro ao seio.
Não nos responsabilizamos pela veracidade dos fatos.
O Projeto Pequenos Guerreiros é a favor da liberdade de credo.

7 comentários:

  1. Parabéns pela sua história e principalemte pelo final feliz. E parecido com a minha história, onde minha princesa nasceu de 27semanas, pesando 470gramas e 24cm, hoje ela tem 4 anos nem uma sequela, ja vai na escola e sabe todo o alfabeto....Sobre caminhar a minha Valentina comecou com 1 ano e 8 meses, após 1 anos e fisioterapia....Parabens.....

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  2. Chorei com o seu relato. Parabéns para vcs duas! que benção sua mãe poder conhece-la. Coragem e esperança é o que não nos pode faltar. Desejo muitas felicidades para vcs. Com carinho, Roberta.

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  3. nossa que alegria poder ler esse relato, minha filha tem 08 meses , e tambem nasceu prematura extrema de 28 semanas , uma luta incansavel na uti neo natal 90 dias, hoje tem varios acompanhamentos, neurologicos , fisio,e vai começar passar aqui na minha cidade em um lugar especial o centro de reabilitação, mas estou confiante que vai dar tudo certo, parabens pela Alexia e pra voce mamae , papai e familia grandes lutadores, fiquem com Deus

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  4. Parabéns pela vitória!!!! Deus é fiel e quando confiamos nele no final dá tudo certo!!! Eu tbm sou mamãe de um prematuro o meu é o Davi... nasceu de 24 semanas com 715 gramas e 31 cm, hoje com 91 dias na Uti neo essa semana estará recebendo alta, ainda depende de oxigenio 1% apenas... é bem pouquinho mas ainda ele precisa, mas temos certeza que muito em breve ele respirará sozinho!!! hoje ele esta com 2.570 Kg e 41 cm... está muito bem graças a Deus... não é uma luta fácil... é preciso coragem... mas Deus escolhe as pessoas certas para lutar nesta batalha dificil... e nos capacita para vencer...fiquei muito emocionada com estes depoimentos e feliz pois Deus é com estes pequeninos e certa que a minha vitória esta chegando e estarei com meu Davi em casa!!!! Kelly Rosa

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  5. Olá.....
    Realmente é muito emocionante ler esse relado principalmente quando estamos na mesma situação.
    Deus me deu um filho.Sou mae do pequeno Heitor que no dia 7 de outubro de 2012 com apenas 24 semanas veio ao mundo,pesando 650 gramas e 28 cm,hoje ele está com 17 dias de internação na UTI neonatal pesando 500grs, mas tenho fé em Deus e meu Heitor é um guerreiro sei que nossa luta é diária mas estamos vencendo dia a pós dia... é muito bom ler relatos de superação pois é como se fosse uma injeção de animo. Parabéns a todas as mamães

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  6. olá,
    fico feliz por postar este meu comentário e contar um pouco da nossa história, minha e da Carolina a minha pequena lutadora.
    A Carolina nasceu com 27 semanas e 670 gramas, hoje está com 17 meses, é grande, linda, bem disposta e feliz. É a luz e alegria da minha vida. Eu sou uma mãe babada por ter esta filha maravilhosa. A todos pais digo: nunca desistam e tenham muita fê que estes pequenos seres são uns guerreiros!

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  7. Este comentário foi removido pelo autor.

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