segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Pequena Guerreira Letícia e mamãe Camila em: Prematuro, a luta pela vida

Feliz aniversário,
papai!
Beijos da sua
Bolachinha Recheada
Letícia, a bolachinha recheada da mamãe Camila, nasceu com pouco mais de meio quilo e enfrentou mais de quatro meses de internação. Conheça um pouquinho desse belíssimo relato.

“É muito pequenininha!” “É inviável sobreviver!” Era somente isso que escutava dos médicos e enfermeiros, quando já estava há sete dias internada, já com 25 semanas de gestação. Vou resumir todos os 124 dias (quatro meses e quatro dias) da minha filha Letícia na UTI. Foi numa quinta-feira, dia 4 de novembro de 2010, quando fiz uma cesariana de emergência, pois estava com muito sangramento devido ao descolamento da placenta. Mesmo tendo útero bicorno, nunca imaginei que isso aconteceria comigo.


mesma fonte
 Útero bicorno (útero com dois "chifres"): é a anomalia mais comum. Em vez de parecer uma pêra de cabeça para baixo, o útero parece mais um coração, com um recorte na parte superior central. O bebê fica com menos espaço para crescer do que num útero normal.
Fonte: http://brasil.babycenter.com/pregnancy/complicacoes/anomalias-utero/

Os cinco primeiros meses foram entrar tranqüilos, apesar da infecção urinária que tive. O trabalho de parto prematuro foi uma surpresa. Ela já tinha descido pro canal de parto quando tive fortes contrações antes de ser internada, e isso fez com que pressionasse minha bexiga, me deixando bem inchada, dificultando a tentativa de segurar essa mocinha dentro da piscininha que tinha formado dentro da minha barriga.

Nunca tinha chorando tanto. Estava desanimada, mas com uma pontinha de esperança. Às 16h55, nasceu minha princesa, de 25 semanas e 3 dias de gestação, pesando apenas 650 gramas e com 34 centímetros, Apgar 1 e 5. Seu pé media 3,7 centímetros, o tamanho de uma moeda de um real! Letícia não chorou e pensei: será que ela está viva? Me mostraram rapidamente, tão pequena mas já dava para ver que tinha os traços do pai. Sou da cidade de Imperatriz, no Maranhão, no hospital em que ela nasceu não tinha vaga. Letícia ficou oito horas esperando por um leito em alguma UTI Neo da cidade, respirando sem aparelho.

À uma da manhã do dia 5 de novembro, me avisaram que ela tinha sido admitida em um hospital particular. Fiquei aliviada. No sábado, dia da alta, estava ansiosa demais pra vê-la. Cheguei lá, novata sobre esse assunto, me falaram sobre os procedimentos de higiene antes de poder chegar na incubadora. Letícia era a menorzinha de lá, foi emocionante, tenho filmado esse nosso encontro. Ela estava evoluindo muito bem, no outro dia já estava tomando um mililitro de leite.

Com poucos dias de vida, Leti teve pneumonia. Foram várias as trocas de antibióticos, fazia muitas apneias, quedas de saturação, FiO2 sempre alta, atelectasias, paradas cardio-respiratórias, pneumonia novamente, algumas tentativas de extubação ao logo do tempo e no final foram 93 dias entubada, 10 dias com cpap nasal, 8 no oxy-hood (capacete), 9 dias em observação, até o dia da alta 9 de março de 2011. Ela foi pra casa com 3,645 quilos e 48 centímetros. Hoje com quase 12 meses, a minha bolachinha recheada, que é assim que costumo chamá-la, está evoluindo muito bem, já senta sem apoio, tentar ficar em pé, conversa (na língua dela mesmo, que nós adultos não entendemos), rola, brinca, é muito curiosa, sorridente e graças a Deus nunca precisou ser internada novamente. Só vai ao médico para visitá-lo! E eu guardo até hoje o que pediatra da Letícia diz: “sua filha foi uma sobrevivente de uma queda de avião”. É, ele tem razão. Minha filha é um MILAGRE!


Editado por Monica mãe de Beatriz

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2 comentários:

  1. Que bom saber que acabou tudo bem com mais uma linda história, que assim com a minha Valentina que nasceu com 470g e ficou 5 meses na UTI, sem que nem os médico acreditassem na sua sobrevivencia, sobreviveu e incrivelmente sem sequelas...cada história que vejo como a minha me deixa estremamente emocionada.....

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  2. Oi Michele, sou a mamãe da Letícia, sua filhota também é uma vencedora, também sempre me emociono com as histórias contadas aqui. Abraços! Obrigada pelo comentário!

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