segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Prematuro, a luta pela vida: a história do Pequeno Guerreiro Cauã e da mamãe Katiane

Cauã, o Pinguinho de Ouro,
com 11 meses!
Katiane desenvolveu hipertensão durante a gestação e o pequeno Cauã nasceu com apenas 1,480 quilos, 37 centímetros e 30 semanas. Leia o relato emocionante da mamãe!

O meu Pinguinho de Ouro, nosso Cauã Yuri, mais um dos guerreirinhos, estava por vir. Eu e meu namorado, hoje meu esposo, não estávamos esperando, mas ele veio e, por sinal, muito bem vindo! Mudou nossas vidas desde os primeiros sinais dentro do meu ventre. Sabíamos que tudo estava por mudar, experiências novas, expectativas novas. Para mim e para meu esposo seria com certeza um grande desafio, eu 23 anos meu esposo 21 anos. Ainda não tínhamos uma estrutura familiar ou conjugal, mas tratamos logo de nos organizar. Lembro-me da primeira ecografia, aquele pinguinho se movimentando, a emoção tomou conta de nós, foi quando caiu a ficha de que ali havia uma vida que seria completamente dependente de nós. E assim foi na segunda, na terceira, na quarta... então descobrimos o sexo do nosso pequeno, era um meninão! E qual nome? Será esse? Hum... não sei... esse é bonito... não acha? Enfim, Cauã Yuri Cristenson.

Na sexta ecografia começou a peleja. Eu, que sempre tive pressão baixa, passei a hipertensa e levar uma gestação de risco. Tudo começou a mudar, a atenção dobrou e os cuidados aumentaram, pois tínhamos medo, não poderia se quer nem imaginar em perder meu filhão. O número de ecos dobrou e o acompanhamento pelos médicos era acirrado. Numa sexta-feira, dia 22 de outubro de 2010, numa consulta de rotina minha pressão estava altíssima e fui encaminhada para a Maternidade Santa Brígida, em Curitiba, para fazer exames. Sabíamos que alguma coisa já não estava bem... Muitas coisas se passavam dentro da minha cabeça, tudo, o inicio de tudo, os enjoos, tudo que compramos tudo que planejamos, o meu chá de bebê. Não podia fica mais nervosa, pois naquele momento tudo passaria para ele. Segundo o diagnóstico, eu já não passava mais sangue ao bebê e ele estava correndo risco. Não contive as lágrimas, meu esposo tentava ser forte. Precisei ficar internada. Na sexta à tarde, recebi a primeira injeção para amadurecer o pulmãozinho. Minha pressão era aferida constantemente. Todos da família foram avisados e estavam torcendo muito. No dia seguinte tomei outra injeção e passei a dividir o quarto com uma moça chamada Luciana que acabava de ter um prematuro de apenas 900 gramas, devido a pressão alta.

No domingo, fui levada para novos exames e a situação estava difícil. Os médicos conversaram e algum momento ouvi algo como “vamos ter que tirar, está se complicando”. Às 11h30, fui preparada e levada ao centro cirúrgico. Só deu tempo de falar com minha cunhada, madrinha do Cauã, e pedir para avisar meu marido sobre o nascimento. André estava no trânsito com minha mãe, parou nom meio da avenida e começou a chorar. Ao meio-dia em ponto, escutei o chorinho rasgado. Meu filho, minha vida, veio ao mundo 24 de outubro de 2010. Nunca tive uma emoção tão forte.

Tive alta na terça-feira, dois dias depois. Cauã foi do centro cirúrgico para a UTI Neonatal. E então começou uma nova etapa de nossas vidas, acredito que a mais difícil de todas. Tínhamos o nosso bebê aqui fora, porém longe, ao longo de vinte e cinco dias ele ficou lá, na caixinha. Eu e o pai íamos duas vezes por dia vê-lo, admirá-lo. Cada médica era um anjo para nós, contando as evoluções, o aumento de peso, as mudanças na alimentação. Todos os dias era uma nova conquista. Tínhamos ali um serzinho tão pequenino lutando pela vida, nosso guerreiro.

Conhecemos pessoas com situações mais críticas, todas as famílias ali se ajudavam. Dávamos força. Nosso bebê estava ali em função do peso e nada mais, isso nos confortava. Uma história era diferente da outra. Conhecemos uma família em especial, a mamãe e o papai da Luiza, mais uma guerreirinha, nasceu com 900 gramas, perdemos o contato com essa família, mas até hoje, estão em nossos pensamentos. Fui fora do horário de visita para amamentar meu filho e, quando toquei a campainha, recebi a notícia mais feliz da minha vida! Eles não haviam conseguido contato comigo por telefone para avisar da alta do Cauã. Liguei para minha cunhada mas não consegui contato com meu marido. Foi uma correria! Em poucos minutos estavam lá a avó e a madrinha de Cauã. Coloquei, então, sua roupinha, que por tantas vezes peguei e acariciei. Encerrava-se aquela fase. O sofrimento seria amenizado e novos dias e experiências viriam. Sabia que estava no fim aquela faze, aquele sofrimento estava sendo amenizado, e que dias diferentes viriam, experiências novas...

As surpresas não acabavam ali! Quando meu marido entrou no quarto e me viu sentada na cama debruçada no berço, foi envolvido por extrema felicidade e alívio. Os dias foram passando, cada dia uma novidade. Primeira fralda trocada, primeiro banho em casa, primeiro esboço de sorriso, as noites em claro, idas e vindas nos especialistas, a primeira papinha, o primeiro dentinho, os primeiros paços, a primeira arte... Logo que meu filho veio ao mundo, nasceu também uma mãe. Dou a vida por ele. Meu filho é meu chão, eu e meu esposo somos apaixonados pelo nosso menininho. Hoje o Cauã tem quase 11 meses, garoto forte e saudável. Está com nove quilos, 69 centímetros e muitos dentinhos. A cada dia trazendo mais alegria! Hoje também temos a certeza que nada acontece por acaso, tudo é para nosso próprio crescimento. Cauã teve o sopro de vida, que nos mudou para sempre. E que futuramente venha nossa menininha!

Muita alegria, muita paz a todas as mães que trilham e que trilharam esse caminho.


Editado por Monica mãe de Beatriz

Quer ler aqui a história de seu bebê? Mande um e-mail com fotos e autorização para: pequenosguerreiros@hotmail.com.
Todas as histórias são editadas antes de serem postadas.

O Projeto Pequenos Guerreiros apoia a amamentação do prematuro ao seio.
Não nos responsabilizamos pela veracidade dos fatos.
O Projeto Pequenos Guerreiros é a favor da liberdade de credo.

2 comentários:

  1. Me emocionei muito ao ler esta história pois tudo voltou na minha memória. Eu sou a Luciana mãe da Luiza, a moça que dividiu o quarto com a Katiane. São momentos como este que nós duas passamos que faz com que acreditamos mais em Deus. Foi uma luta que passamos e que por fim tivemos finais felizes. Minha Luiza ja vai fazer 1 aninho e está cada vez mais sapeca. Que bom ter notícias de você Kati!!!!

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  2. Nossa Lu, não sabe a alegria de ver esse comentário, todos os dias entrava pra ver se estava aqui. Orei muito por vcs logo que o Cauã saiu de lá. Deus é maravilhoso, deve ser uma menina linda a Luiza...Estou muito feliz em saber que como pra nós pra vocês houve um final feliz e que muito mais dias de Alegria viram... E o meu bebe tambèm vai fazer um aninho e não diferente da Luiza é muito Sapequinha... O livrinho do inicio da Vida dele tá quase completo... Esse Blog, tem sido um suporte pra mim...achei que seria um meio de obter noticias de vocês, pois no meio de tudo aquilo não trocamos contatos... Mais Lu vou ficando por aqui, Deus abençõe a todos...Um Forte abraço... Mais bá e Não que deu certo mesmo... Katy

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