segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Prematuro, a luta pela vida: a história do Pequeno Guerreiro Gustavo e da mamãe Favi

A soneca deliciosa de Gustavo
Favi enfrentou uma pré-eclâmpsia em território estrangeiro. Acompanhe a luta dessa mamãe brasileira, radicada nos Estados Unidos, para manter Gustavo em seu ventre.
Minha vida sempre foi assim, sem saber o que seria do dia de amanhã. Conheci meu marido aos vinte anos e com vinte e um começamos a namorar. Namoro firme e forte por quase sete anos até o dia do casamento. Bem antes de casar, já começaram as mudanças: Ribeirão Preto, Rio de Janeiro, Balneário Camburiu, Rio (de novo), Goiânia e, enfim, o exterior. Estamos morando em West Palm Beach, Flórida, estado norte-americano, desde fevereiro de 2010. Planos de engravidar? Na minha cabeça sempre, desde que casamos há três anos. Mas pensando bem, como seriam os nove meses? Onde estaríamos morando? Era tudo tão imprevisível que eu poderia pensar em ter meu bebê em qualquer parte do mundo.

Mesmo assim, decidimos que já estava na hora. Parei a pílula, comecei ácido fólico e o primeiro mês de tentativa foi certeiro. Engravidei em dezembro de 2010, pronta para ser mãe. Mudei todos meus hábitos alimentares, comecei exercícios moderados e li muitas e muitas páginas de vários livros sobre gestação. Tive o famoso enjoo matinal e o temido sangramento da oitava semana, mas sem descolamento da placenta. Logo no início fomos atrás de um médico. Convenhamos que isso já é difícil no nosso país, imagina nos Estados Unidos. Mas encontramos. O Dr. Hayden era o médico perfeito, mais velho, calmo, explicava tudo tintim por tintim. Fiz o pré-natal com muita tranquilidade, viajei pro Brasil duas vezes, repeti todos os exames na minha cidade, tudo pra certificar de que eu e o Gustavo estávamos bem. Com sogro obstetra, sempre tirei todas as minhas dúvidas e nunca dormi receosa com nada.

Tudo corria bem, não tinha engordado muito (dez quilos até aquele momento) e fui para uma consulta de rotina na 32ª semana. A primeira coisa que meu médico disse: You look great (você está com uma aparência ótima)! Agradeci e fomos pra checagem de sempre. Por incrível que pareça, naquele dia eu só parecia ótima por fora. Minha pressão estava 150x100!! O teste de proteína na urina deu negativo e não havia inchaço, mas fomos pra casa com um medidor de pressão nas mãos e consulta marcada para dali uma semana. Meu marido checava minha pressão cinco vezes por dia, e tudo indicava que ela não iria abaixar. Na 33ª semana voltei ao consultório. Pressão 160x100, proteína na urina 3+. Não tinha outra opção, fui internada imediatamente com diagnóstico de pré-eclâmpsia. Começou o pesadelo. Fiquei ligada ao monitor cinte e quatro horas, exames que não acabavam mais, tomei corticóides para o pulmão do Gustavo amadurecer, mas sempre com o pensamento positivo e com a certeza de que receberia alta e ficaria em casa de repouso até que a gravidez chegasse a termo. Fiz a tão temida aminiocentese. Imagina enfiar uma agulha na barriga e retirar líquido amniótico? Eu não imaginava isso acontecendo comigo. O exame mostrou que o Gustavo estava maduro e a ultrassonografia mostrou que o líquido estava diminuindo, a placenta não estava funcionando bem e que meu bebê estava perdendo peso. Foram cinco dias de angústia, os exames mostravam piora e meu médico já falava em indução do parto. Mas como assim? Eu estava com 33 semanas ainda!

A última noite antes do parto foi umas das piores da minha vida. Tive uma dor de cabeça fortíssima, minha taxa de plaquetas foi à 88 (o mínimo era 150) e minha pressão oscilava ente 170x100 e 180x110. Tive sensação de que iria morrer a qualquer instante, chorava copiosamente e só pensava: meu bebê não está pronto. O que eu poderia fazer se meu organismo não iria dar condições para ele ficar pronto dentro de mim? Rezar pra que ele estivesse em boas condições aqui fora. Não restava outra opção pra mim a não ser uma cesariana de emergência, de mãos dadas com meu marido, tremendo igual vara verde e pressão 200x110.

Foi assim que no dia 26 de julho de 2011, com 33 semanas e 5 dias de gestação, meu filho veio ao mundo pesando 1,590 quilos e medindo 42 centímetros. Pequeno? Sim. Magro? Também. Mas com uma saúde que impressionou médicos e enfermeiras. Não precisou de respirador, não teve icterícia (comum em prematuros) e foi para o berço aberto no segundo dia, ou seja, já regulava a temperatura corporal sozinho. Ele não conseguia sugar e teve que ser alimentado com tubo na primeira semana, mas sempre com o meu leite, porque apesar de todos os perrengues me incentivaram a tirar colostro e leite com uma bomba elétrica desde o primeiro dia. Foram duas semanas na NICU (UTI neonatal). A nossa vida parou e parecíamos estar vivendo em outro plano. Meu marido não conseguia trabalhar e eu praticamente me mudei para o hospital. Eu fazia tudo: alimentava, trocava fraldas, ninava e fazia o kangaroo care (método mãe-canguru, colocava ele em contato direto no peito por longas horas) e ele foi ganhando peso. Veio pra casa antes do previsto e com uma saúde de ferro.

Hoje, dia 8 de setembro, seria o “due date”, ou seja, a data prevista para o parto, mas o Gustavo ja esta com 1 mês e quase 2 semanas. Fofo, bochechudo e cheio de manias. Nos faz rir e chorar de felicidade e explodir de tanto orgulho. Posso dizer que a experiência foi terrível, mas ver a carinha do meu bebê todos os dias apagam todas as tristes recordações.


Editado por Monica mãe de Beatriz

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Um comentário:

  1. amei amei, ja tinha lido essa historia e concerteza me emocionou aqui e lá ...

    parabens ao Gustavo e a mamãe

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