segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Prematuro a luta pela vida, a história do Pequeno Guerreiro Felipe e da mamãe Valéria

Felipe e sua cara de sapeca!
1 ano e 5 meses
A mamãe Valéria nos conta com muita emoção as dificuldades da gestação e o drama dos primeiros dias após o parto de André e Felipe. Se emocionem com este relato de fé.

Me dá um nó na garganta, só de lembrar tudo o que passei, é como se um filme passasse na minha cabeça. Lembro do dia mais feliz da minha vida: 30 de setembro de 2009, dia em que peguei o meu positivo! Não acreditava que meu sonho estava se tornando realidade! Depois de três anos de tentativas, achava que nunca ia saber o significado da palavra mãe... felizmente, me enganei. Descobri que estava grávida com 5 semanas, fiz um ultrassom e vi uma bolinha, por ser muito cedo, não deu pra ouvir o coraçãozinho. O médico pediu para que voltasse em quinze dias. Meu marido foi comigo dessa vez, estava com 7 semanas. O médico colocou o aparelho na minha barriga e... surpresa, eram gêmeos! O quê? Sim, gêmeos! Comecei a rir, num misto de alegria e nervoso. Saímos atordoados do consultório, queríamos contar para o mundo inteiro que tínhamos sidos abençoados duplamente. Pensava comigo “Deus me deu dois presentes de uma vez só, demorei três anos para engravidar porque ele estava preparando duas forminhas iguaizinhas”. Eram gêmeos da mesma placenta, idênticos. Eu me sentia hiper-mega-ultra importante! Com 17 semanas descobrimos o sexo, dois meninos, André e Felipe.

Tudo corria muito bem (achava eu), até que com 21 semanas de gestação tive um pequeno sangramento. Fiquei apavorada. Liguei para o médico que me disse ser normal, que poderia acontecer de vez em quando durante o resto da gestação, eu acreditei. Na semana seguinte fui à consulta pré-natal, lembrei a ele do sangramento e ele checou que o colo do útero já estava fino, apesar de poucas semanas de gestação. Sem maiores esclarecimentos, foi-me indicado repouso. Só ficava deitada e cada vez que ia medir o colo estava cada vez mais curto, que não entendia o porquê. Como mãe de primeira viagem, estava tendo contrações há muito tempo e não sabia... O médico me perguntou se eu tinha contrações mas pela inexperiência não soube responder, afinal nunca tinha estado grávida antes. Minha barriga ficava dura e, na minha cabeça, era porque eram dois bebês. Na última checagem meu colo do útero estava com apenas um centímetro de espessura. Me desesperei e comecei a chorar, o médico me disse que os bebês nasceriam prematuros e na cidade não havia UTI Neonatal. Saí do consultório chorando, achando que era o fim da linha.

No dia seguinte meu marido me levou até a cidade vizinha, num hospital de qualidade. Fui deitada no banco de trás do carro, de tanto medo que estava. No pronto-socorro o médico plantonista constatou que o colo do útero estava mesmo muito curto. Quando perguntou se estava tendo contrações, eu disse que não. Nesse mesmo instante minha barriga ficou dura e o médico me explicou que isso era uma contração. Fui internada para exames e tentar subir um pouco a bolsa e diminuir o peso sobre o colo do útero. Nos exames constatou-se uma grave infecção urinária e, devido o meu quadro, ele não podia prescrever qualquer medicação. Fiquei internada, de ponta cabeça, não levantava da cama pra nada. Tinha uma dor no corpo terrível, mas estava disposta a tudo pelos meus filhos. Com dez dias de internação, a infecção já estava começando a ceder e o remédio para evitar contrações começava a ser retirado. Num domingo, completei 26 semanas de gestação. No dia seguinte, dia 22 de fevereiro de 2010, levantei para tomar um banho rápido. Ao sentar na cama, a bolsa rompeu. O medo tomou conta de mim, nunca tremi tanto. Não queria acreditar que aquilo estava acontecendo comigo. Não queria que eles nascessem tão prematuros assim... Estava esperando um parto prematuro, mas tinha certeza que ia conseguir segurar até as 34 semanas pelo menos. O inevitável aconteceu e eles tiveram que nascer no mesmo dia.

Os médicos disseram que eles não iam chorar e que tudo seria muito rápido, pois eles eram muito prematuros e tinha que ser entubados às pressas. Para a surpresa de todos da sala de parto, os dois choraram ao nascer. Primeiro veio o Felipe, pesando 825 gramas e 33 centímetros. Em seguida o André com 960 gramas e 34 centímetros. Só pude vê-los rapidamente e já os levaram embora. O parto que eu tinha sonhado não aconteceu. Sonhava em ter aquela foto que todas têm beijando, o bebê na sala de parto... E eu iria beijar dois ainda! Mas nada do que eu planejei aconteceu. Só vi meus filhos na terça, quando fui à UTI. Meu mundo caiu. Eram muito pequenos, frágeis, meu coração despedaçou. Não conseguia nem ficar em pé, parecia um pesadelo. Não me conformava de ter feito aquilo com os meus filhos. Estavam entubados, pareciam que estavam sofrendo tanto... Foi um baque pra mim. Saí de lá desolada. Queria me mostrar forte, mas só Deus sabia o quanto estava sofrendo. Tinha horas que parecia que eu saía de mim. Era muito estranho.

Tive alta e quando entrei naquele quartinho azul, desabei. Chorei muito. Na quarta-feira me ligaram do hospital. Cada vez que tocava o telefone, eu gelava. Precisavam saber meu tipo de sangue, pois um dos bebês precisava de transfusão. Quando cheguei, notei que o Felipe estava mais ativo e o André mais quietinho. Aquilo me deixou preocupada, sentia que ele não estava legal. Senti uma coisa ruim, não estava em paz. Ao chegar cheguei em casa, o telefone tocou. Quando me disseram que era do hospital, eu já sabia o que era. Meu André tinha ido morar com o Papai do Céu. Meu Deus, que dor. Achava que depois da morte da minha mãe nunca mais ia sofrer tanto, porém sofri triplicado, quadruplicado. Só quem perde um filho sabe a dor que é. Não adianta nada, tudo o que os outros falam para te consolar, parece que dói mais ainda. Você não quer escutar nada, só quer chorar e chorar. Se perguntar o porquê você está passando por tudo aquilo. O que você fez pra merecer passar por isso. É terrível.

Mas eu tinha que ser forte, pois eu ainda tinha um filhinho para pensar. O enterro do André foi na quinta-feira pela manhã, à tarde fui visitar o Felipe, ele estava estável e a médica me explicou o que tinha ocorrido com André. À noite, o telefone tocou e meu marido foi atender longe de mim. Era do hospital novamente. Vi que ele ficou estranho e eu perguntei quem tinha ligado, ele me falou que era do hospital, pedindo pra gente ir lá porque o Felipe estava tendo hemorragia, assim como tinha acontecido com André. A perspectiva era de que Felipe não sobrevivesse também. Comecei a chorar e a gritar para Deus me ajudar, para levar meu filho. Não queria sofrer mais do que estava sofrendo. Meu marido pegou a Bíblia, abriu aleatoriamente e saiu uma palavra linda, falava sobre a paciência. Parecia que Deus estava falando com a gente. Meu marido se ajoelhou e começamos a orar. Pedimos para Deus dar o nosso filho para gente. Só Ele sabia o quanto tínhamos desejado aquelas crianças. Meu marido leu a palavra que a Bíblia dizia e falava para que ficasse tranquila, que Felipe ficaria bem, pois Deus estava nos mostrando através da palavra. O telefone tocou novamente, amoleci na hora. Achava que já ia escutar o que não queria. Mas Deus mostrou que Ele existe e que Ele escutou as nossas preces. Era do hospital, a enfermeira dizia que não sabia o que tinha acontecido, mas Felipe está melhor e estável. Começamos a chorar de alegria. Sabíamos que Deus tinha feito o milagre. Meu Felipe estava morrendo e Deus o trouxe de volta. Na hora meu marido pegou a Bíblia e foi à igreja dar o testemunho. Estava tendo missa de cura e libertação e ele contou nossa história ao Padre. Muitos se emocionaram e começaram a nos ajudar nas orações pela saúde do Felipe.

A partir deste dia, foram só bênçãos em nossas vidas. Foi difícil passar por tudo. Havia dias em que chegávamos e tínhamos notícias boas, em outros, voltava chorando. Felipe passou por muitas coisas, a ideia de acontecer alguma coisa com ele me apavorava. Ele demorou para ganhar peso. De 825 gramas chegou a 640 gramas. Para vir embora, precisava pesar dois quilos, estar respirando sozinho e mamando pelo menos 50ml para poder ter alta. Fez duas cirurgias, uma de hérnia, enquanto estava internado, e uma segunda aos oito meses, pois estava com hidrocele (água no saquinho).

Foram 83 dias entre UTI e berçário. Enfim viemos embora. Graças a Deus, nunca mais precisamos voltar ao hospital. Felipe esta com 1 ano e 5 meses e é perfeito. Não ficou com nenhuma sequela, é muito esperto. Só tem um pequeno atraso motor, ainda anda se apoiando nos móveis e é miudinho, devido à prematuridade, mas isso não faz a menor diferença diante de tudo o que ele passou! Tê-lo aqui, lindo, cada dia mais bagunceiro e com saúde é o que importa. Sou eternamente grata a Deus por esse milagre em vida! Mamães que estão passando por esta situação, tenham fé, Deus tudo pode em nossa vida!


Editado por Monica mãe de Beatriz

Quer ler aqui a história de seu bebê? Mande um e-mail com fotos e autorização para: pequenosguerreiros@hotmail.com.
Todas as histórias são editadas antes de serem postadas.
O Projeto Pequenos Guerreiros apoia a amamentação do prematuro ao seio.
Não nos responsabilizamos pela veracidade dos fatos.
O Projeto Pequenos Guerreiros é a favor da liberdade de credo.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

LinkWithin

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...