segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Prematuro, a luta pela vida: a história do Pequeno Guerreio Yuri e da mamãe Fran

Yuri e a mamãe Fraan
num momento único.
Amamente!
Fran é uma menina vitoriosa! Além de enfrentar todo sofrimento imputados às mães de prematuro, vence a cada dia a batalha da maternidade na adolescência. Leia esse emocionante relato de uma mãe adolescente.

Engravidei com apenas 17 anos, no primeiro momento vi minha vida "jogada fora" sem ter forças para aguentar criticas e condenações por ter engravidado tão cedo, de tanto nervoso tive uma ameaça de aborto com treze semanas com direito a sangramento e tudo. Foi quando ouvi pela primeira vez o coraçãozinho do meu príncipe bater, não tinha como descrever alegria maior, aquele serzinho vivo e bem ali dentro de mim.

Casei, fui para minha casa com meu marido, com uma rotina de casal e uma gravidez hiper tranquila. Me sentia sufocada por não poder tomar decisões por mim, minha mãe decidia tudo. Por ser menor de idade, até sobre meu parto a obstetra conversou com ela e não comigo, sem ao menos saber minha opinião. Na data prevista do parto eu já teria 18 anos completos, então bati de frente com toda minha família. Tenho horror a cesariana. Decidi ter um parto humanizado e domiciliar, como sempre sonhei. Todos me condenavam e o pior de tudo: minha mãe me ligava todo dia me traumatizando, tentando me convencer do contrário. Passei duas longas semanas aos prantos, isso com 29 semanas de gestação.

De tanto nervoso que passei, de tanto choro e angústia, meu bebê Yuri ficou agitado e, sem maiores explicações, minha bolsa rompeu às 10h da manhã. Cinco horas depois, entrei em trabalho de parto. Tive muito medo, as contrações já eram a cada minuto, pedia a Deus que aquilo fosse só um pesadelo. Fiquei uma semana internada com bolsa rota perdendo líquido, com infecção, repouso total e uma dieta de 4000 calorias diárias para o Yuri pegar peso. Fui mal atendida por uma enfermeira, sua grosserias fizeram com que minhas contrações voltassem. Como não paravam, aumentaram as doses de inibina sem avisarem à minha obstetra. Tive um ataque cardíaco e uma parada respiratória, fiquei três dias respirando com ajuda de oxigênio. Pela graça de Deus tudo isso não afetou meu príncipe.

No sétimo dia de internação, eu estava com cândida e uma enfermeira foi introduzir uma cápsula em mim que dissolvia e virava pomada, como estava com sete centímetros de dilatação, acabou rompendo a bolsa de vez. Fui levada de ambulância para outro hospital onde tinha vaga na UTI Neonatal. Foram os vinte minutos mais demorados da minha vida. Chorei o caminho todo implorando para que meu filho sobrevivesse. Yuri nasceu de cesárea, no dia 19/02/2011, às 19h20, medindo 40 centímetros e pesando 1,530 quilos. Chorou forte! Mal consegui vê-lo, pois estava muito dopada. Tenho uma vaga lembrança de um bebê muito roxo e inchado, mal dava para ver o contorno dos olhinhos.

Logo depois do seu nascimento veio o sentimento de desespero, de incapacidade e de culpa. Me sentia pior mãe do mundo, pensava comigo mesma que tipo de mãe eu sou? Não consegui nem gerar meu filho nove meses na barriga. E por minha incapacidade, ele está correndo risco de vida. Me culpava tanto, mas tanto... Na marra, passei de menina-moça para mãe. Não tive tempo de me tornar mulher antes. De um dia para o outro amadureci anos, tentava lutar por mim e pelo meu filho. Mas o sofrimento para mim era tão intenso, me sentia tão nova para passar por tanta coisa, que acabei entrando em depressão. Não conseguia parar de pensar que tudo estava acontecendo com meu filho era culpa minha!

No dia 20/02/2011, às 10h, pude vê-lo de novo. Estava entubado, tão pequeno, tão frágil, tão apagado. Sonhava com primeiro toque pele a pele, logo após o nascimento. Foi tudo ao contrário. Através de uma incubadora, com luvas e toques limitados, mal podia encostar nele. Aos dezoito dias de vida dava sinais de evolução. Podia ver meu filho três vezes por dia, durante meia hora e visita apenas do pai. Voltava todo dia pra casa, tão só, tão magoada comigo mesma... Tirava leite de duas em duas horas. Meu sonho era poder amamentar. Fazia de tudo para que minha produção de leite se mantivesse até meu filho sair do hospital. Ao final de vinte e oito dias de internação, depois de ter sido alimentado por sonda, usado vários tipos de respiradores e tendo tomado muitos antibióticos, foi liberada amamentação do meu anjo. Foi o dia mais feliz da minha vida! Era tanto sentimento ao mesmo tempo... Pude pegá-lo, sentir a sua pele, o seu cheiro. Pude abraçar, beijar, acariciar e o melhor de tudo amamentar! Eram tantas explosões de sentimentos inexplicáveis dentro de mim! Chorava tanto, tremia tanto... aquele momento tão sonhado, tão esperado... Estava ali, meu filho com 1,900 quilos, tão pequeno nos meus braços. A amamentação foi difícil. Mamou ao seio por duas vezes e voltou para o respirador. Foram mais dois dias de espera até ser liberado para o seio novamente. Já estava, então, com 2,110 quilos e mamava tão bem!

Era só ele pegar bem o seio e ganharia alta. Minha felicidade estava repleta. No mesmo dia que tive a notícia, Yuri teve uma lesão em seu pulmãozinho e voltamos ao começo. Entubação, cpap, campândula, até enfim chegar na fase de só circulação de oxigênio dentro da incubadora. Voltou a mamar e no dia 28/03/2011 recebeu alta com 2,230 quilos.

Por algum motivo meu leite secou. Foram quatro longas semanas de relactação e meu leite voltou em quantidade suficiente para meu filho que é amamentado até hoje! O seu primeiro dia em casa foi o dia mais feliz na vida, digo de boca cheia que foi o dia que eu renasci e me tornei mulher-mãe. Orgulhosa por ter um filho guerreiro e poder dizer que eu e minha família prematura tínhamos conquistado a maior vitória de nossas vidas. Até hoje, quando vejo meu pequeno dormindo agarradinho em mim, choro lembrando de cada momento que passou sem acreditar que ele é o meu milagre de vida. Yuri está com 5 meses, 61 centímetros e 6,650 quilos, quase no tamanho de um bebezinho de termo. Perfeito, sem sequela nenhuma, ninguém diz que ele é um prematuro!


Editado por Monica mãe de Beatriz

Quer ler aqui a história de seu bebê? Mande um e-mail com fotos e autorização para: pequenosguerreiros@hotmail.com.
Todas as histórias são editadas antes de serem postadas.
O Projeto Pequenos Guerreiros apoia a amamentação do prematuro ao seio.
Não nos responsabilizamos pela veracidade dos fatos.
O Projeto Pequenos Guerreiros é a favor da liberdade de credo.

6 comentários:

  1. também passei por isso, fiquei angustiada, desesperada sofri muito ao ver meu filho sendo, cortado, furado todos os dias, ele não tinha forças pra chorar, quase morri quando vi meus filho breves minutos sem ao menos respirar... entendo o sacrifico pois a boca era tão pequena que ele não conseguia mamar, mesmo após a liberação ele não se alimentava direito e lá no hospital me abandonaram... Foi os piores dias da minha vida

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  2. muito obrigada por postar meu relato ^^

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  3. Thayná, cada mãe que passou por uma UTI sabe o inferno que é!
    Todas nós sofremos e sabemos como nossos pequenos são lutadores!

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  4. Chorei mto, lembrei da minha prematurinha... minha guerreira... que hj está com 3 meses e 4.475 kg :) Parabéns ao Yuri e a sua mamãe :)

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  5. meu nome è Flavia e fiquei muito emocionada lendo o post..
    estou me preparando pra passar por isso pois minha gestação vai ser interrompida com 31 semanas.
    oro a Deus que nos de forças pra suportar o que esta por vir..

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  6. Linda história!! Parabéns pelo guerreiro Yuri!!!

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