domingo, 14 de agosto de 2011

Especial do Dia dos Pais: a história da Pequena Guerreira Liz e do papai Adriano

Liz em seu 1º passeio na pracinha,
com Adriano o super
papai de Laura, Liz e João
A história dessa semana vai sair excepcionalmente no domingo, em homenagem aos nossos queridos papais!

Eu sempre esperei receber o relato de um pai de prematuro e até hoje nada! Nós, mães, ficamos tão envolvidas no sofrimento, que nos parece ser maior, e esquecemos que do outro lado há alguém tão assustado quanto nós. Como nenhum papai se prontificou, convidei o Adriano pai da Liz, que já conhecemos a história(http://www.projetopequenosguerreiros.com/2011/06/prematuro-luta-pela-vida-historia-da_27.html
). Fica aqui nossa homenagem!

Chamo-me Adriano e sou de Nilópolis, no Rio de Janeiro. Sou Auxiliar Administrativo em uma empresa de resíduos e minha namorada Flávia, como vocês já sabem, é estudante de Veterinária na UFRRJ. Estamos juntos atualmente há quase dois anos. Em julho de 2009, descobri que seria pai pela segunda vez sem planejar. Inicialmente me desesperei, porque já tinha o meu primeiro filho, que se chama João Pedro, fruto de relacionamento que não deu muito certo, porém nos tornamos amigos e cúmplices na criação do João.

Quando soube que a Flávia estava grávida a minha situação não era tão ruim, pois eu era Funcionário Público, mas mesmo assim me desesperei. Seria pai pela segunda vez em menos de um ano! De repente eu, que era só responsável por mim mesmo, agora seria responsável por mais duas pessoas maravilhosas, que não tinha noção o quanto seriam importantes para mim. Conversamos muito sobre o que fazer. Flávia, então, fez uma ultra transvaginal para saber o tempo de gestação. Eu acompanhando por telefone, quando veio o susto: gêmeas entre 15 e 16 semanas!

Meu mundo tinha caído, fiquei mudo do outro lado. Peguei um ônibus e parti para Seropédica naquela mesma noite, já com o coração na mão, me perguntando o que eu ia fazer. Não era um problema tão simples, como faria para sustentar três filhos e ajudar em casa? Não ia dar! Muitas vezes pensei em aborto, egoísmo da minha parte. Me arrependo muito disso e choramos juntos.

Depois de ter anunciado para todos da família, Flávia voltou para a faculdade. Na primeira semana de aula ela foi parar na Maternidade de Seropédica com 20 semanas de gestação, ameaça de aborto. Estava a caminho do trabalho, liguei para o meu chefe na hora e ele me liberou. Cheguei à maternidade por volta das 8h30 da manhã, fiquei sabendo do estado dela e fiquei aguardando a hora da visita que seria só ás 14h. Ficamos o tempo todo nos comunicando pela janela. Dava todo o apoio que podia. Fiz cartazes com o nome das meninas e o meu, dizendo que tudo iria passar e que a amávamos muito. Coloquei na janela, quando olhei ela estava chorando emocionada. Fazia muito frio, mas não saí da frente do hospital até a ambulância que iria transferi-la chegar às 19h.

Foi transferida para Nilópolis, onde ficou por quatro dias. Depois foi para casa da tia na Pavuna, com recomendação expressa do doutor Alexandre: não sair da cama até as meninas ficarem prontas para nascer e tomando remédios para evitar as contrações que ainda sentia. Só ia do banheiro para a cama e da cama para as consultas do pré-natal, andando o mínimo possível. Numa madrugada ela começou a sangrar e teve que voltar para o hospital e se internar às pressas. Ficamos juntos durante todo o tempo, até o dia primeiro de outubro. Ela só podia virar na cama, levantar nem pensar nem para o banho. Cuidava dela com muito amor. Houve um dia em que ela não aguentava mais comer a comida do hospital e estava com desejo de comer hambúrguer do Mc Donalds. Comprei, coloquei na mochila e levei para o quarto escondido. Ela devorou com uma vontade enorme! Minha rotina era chegar do trabalho, jantar em casa, pegar a roupa para o dia seguinte e ir para o hospital dormir com Flávia. Passávamos o dia trocando noticias pelo telefone. Elas mexiam o dia todo! Decidimos seus nomes, seriam Liz (gêmea 1) e Laura (gêmea 2). Eu conversava muito com elas, brincava e quando ouviam minha voz era animação total!

No dia 30 de setembro, Flávia entrou em trabalho de parto, antes de ir para o centro cirúrgico, segurei bem forte sua mão, disse “te amo” e ela se foi. Fiquei esperando toda a noite por noticias e nada. Subia, descia e nada de noticias. Pela manhã, a Dra. Eliane falou comigo e minha sogra, cheia de esperança sobre a Liz. Ela não sabia que não tinham nos avisado sobre o falecimento da Laura. Quando perguntamos sobre a Laura, veio a notícia que tirou metade da nossa felicidade, ela tinha falecido. Chorei muito. Hoje compreendo a dor de enterrar um filho. É como um pedaço da gente que está indo embora. Até hoje me emociono muito em falar da minha Laura. Queria muito sorrir naquele dia pela Liz e por mais um ano de vida da minha mãe, mas era dor que esboçava no meu rosto.

Eu não tive muito tempo para curtir a Liz nos primeiros momentos porque estava cuidando do sepultamento da Laura. Fui, então, ver minha filha ali naquela UTI Neonatal lutando pela vida. Não vou negar que fiquei com medo de alguma sequela. Mas não sabia o quanto ela é forte! Meus sorrisos são dela e do João. Liz hoje tem 10 meses é forte e esperta, é a minha princesa! Nem parece que ela enfrentou tantas barreiras pra chegar até aqui. Aprendemos muito com essa situação. E o melhor de tudo: juntos. Hoje, como pai, sei que não tem herança maior que meus filhos e eles me dão forças pra puder nunca desistir de lutar pelos os meus ideais, como minha Liz.


Editado por Monica mãe de Beatriz

Quer ler aqui a história de seu bebê? Mande um e-mail com fotos e autorização para: pequenosguerreiros@hotmail.com.
Todas as histórias são editadas antes de serem postadas.
O Projeto Pequenos Guerreiros apoia a amamentação do prematuro ao seio.
Não nos responsabilizamos pela veracidade dos fatos.
O Projeto Pequenos Guerreiros é a favor da liberdade de credo.

4 comentários:

  1. hihihi esqeci d assinar d nv! Flávia mãe da Liz e namorida do Adriano

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  2. Nossa! Nós mães e mulheres sempre nos solidarizamos com outras mães e sempre esquecemos dos pais, que também sofrem.
    "A dor de perder um filho", chegou a dor em mim.

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  3. Como foi bom escrever a trajetória da minha Princesa, eu desejo que outros pais compartilhem ainda mais de cada momento de seus filhos para que mais histôrias como essa sejam contadas.
    Adriano

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