segunda-feira, 4 de julho de 2011

Prematuro, a luta pela vida: a história da Pequena Guerreira Giulia e da mamãe Suzy

As guerreiras: Giulinha e
mamãe Suzi.
Lindas e felizes!
Mamãe Suzy nos conta como superou a Síndrome de Hellp e, junto com sua guerreirinha Giulia, lutou pela sobrevivência!

Sempre quis ser mãe, e no início de 2011, engravidei após quatro meses de tentativas. Ficamos muito felizes, a família toda comemorou! Minha gravidez foi maravilhosa. Não tinha enjoos, não passava mal. Muito pelo contrário me sentia muito bem, muito disposta. Com quatro meses descobri que seria uma menina, a nossa Giulia. Fiquei radiante, sempre me vi mãe de uma menina!

Com 28 semanas, fui para uma consulta de rotina e minha pressão arterial, estava um pouco alta. A médica ficou preocupada e pediu para ficar atenta. Ela estava indo passar férias fora do país, o que me deixou um pouco preocupada. No decorrer dessa semana, eu aferia a pressão diariamente e nada de abaixar. Liguei para a médica, que me indicou uma medicação. Não entendia porque isso estava ocorrendo, pois minha pressão sempre foi normal, sempre 120/80 mmHg. Ia trabalhar, mas logo me mandavam ir para casa, pois a pressão não baixava. No dia seguinte, liguei para minha médica e ela me encaminhou para uma colega dela e viajou.

Consultei a nova médica, que me assustou muito. Disse que era possível que a bebê nascesse prematura, pois minha pressão estava muito alta. Me receitou mais medicações e me alertou que também sairia de férias e não poderia me atender. Fui para casa. Nesse dia minha mãe foi me ajudar a arrumar o quartinho da Giulia. Ela ia arrumando as roupinhas e eu tinha uma sensação muito ruim. Sentia que não iria participar daquilo tudo. Um estranho e temeroso pressentimento.

Passei mal no fim da semana e fui para uma maternidade de emergência. Fui atendida por um médico muito atencioso. Minha pressão estava em 220/14 mmHg, fui internada na mesma hora. Fiquei internada durante três dias. O médico me disse que eu estava com pré-eclâmpsia. Tomei a injeção de corticoides para amadurecer o pulmão da Giulia e fui sulfatada (medicação para evitar convulsões). Minha pressão melhorou um pouco e os exames mostravam que estava tudo bem com a Giulinha. Já meus exames de sangue não eram muito bons.

No momento de minha alta, o médico me alertou que a Giulia iria nascer com certeza prematura, isso dependeria da evolução de meu caso. Isso foi uma quarta-feira. Fui para a casa de minha mãe, que como toda boa mãe me cuidava e me atendia prontamente. Tomava muitos remédios, mas de nada adiantavam. Eu deveria ficar em repouso absoluto. Nessa semana, seria o chá de bebê da Giulia. Fiquei muito triste por ter que cancelá-lo.

Foram dias terríveis, eu me sentia muito mal. Fiquei muito inchada e aparecerem erupções em minha pele. Não conseguia me levantar da cama e tinha um pressentimento muito ruim. Não estava aguentando, sofria muito. Minha mãe aferia a minha pressão muitas vezes durante o dia, eu já estava ficando traumatizada com aquele aparelho de pressão. A pressão não baixava. O médico havia me pedido para realizar exames de sangue na sexta-feira e uma eco no sábado. A ecografia indicou que a Giulia ainda não tinha sido prejudicada, graças a Deus. Porém os meus exames estavam muito alterados. Minha família dizia para não ler os exames, pois não sou médica mas comparava os resultados com os valores de referência e percebia que não estava nada bem.
Sábado, dia 11 de setembro de 2010, me senti muito mal. À noite, meu marido e minha mãe me levaram as pressas para a maternidade. Chegando lá, fui atendida pelo médico de plantão que viu meus exames. Ele disse que eu estava com Síndrome HELLP, o caso mais grave e raro de DHEG (Doença Hipertensiva Específica da Gravidez).

E o que é Síndrome de Hellp?
É uma síndrome (conjunto de sinais e sintomas) que ocorre com o agravamento do quadro de pré-eclâmpsia. HELLP é uma sigla cujo significado é: H: hemólise (fragmentação das células vermelhas do sangue na circulação); EL: alteração das provas de função hepática (elevated liver functions tests) e LP: diminuição do número de plaquetas (células que auxiliam na coagulação) circulantes (low platelets count). Quando uma gestante com pré-eclâmpsia apresenta alterações laboratoriais ou clínicas compatíveis com hemólise, alteração das enzimas hepáticas e diminuição das plaquetas está com a SÍNDROME HELLP.
O tratamento da síndrome HELLP é a correção dos distúrbios maternos permitindo que a gestação seja interrompida de forma mais segura possível, independente da idade gestacional. Esta síndrome está associada a um mau desfecho materno e fetal, com complicações maternas graves como edema agudo de pulmão, falência cardíaca, insuficiência renal, CIVD (coagulação intravascular disseminada) com hemorragias importantes, ruptura do fígado e morte materna.

O médico me avisou que teria que ser feita a cesárea o mais rápido possível, pois somente com o nascimento da Giulia e a retirada da placenta eu sobreviveria. Infelizmente eu e ela (pela prematuridade), teríamos que ficar internadas em uma UTI. Como nessa maternidade só havia UTI Neonatal, tivemos que procurar outro hospital. Angustiados, eu, meu marido e minha mãe, chegamos à outra maternidade. Quando a médica plantonista viu os meus exames, ficou com receio de assumir o meu caso. Foi bem franca com o meu marido e com minha mãe. Disse que após o parto, eu seria encaminhada para a UTI. Na minha presença falou que eu tinha poucas chances de sobreviver...

Meu marido que sempre sonhou em ver o nascimento de nossa filha, não pode assistir ao parto. Eu estava muito nervosa... me despedi emocionada de minha mãe e de meu marido. Na sala de pré-parto fui sulfatada novamente para que a minha pressão estivesse normal no momento do parto. No dia 12 de setembro de 2010, às 01h05 da manhã, a minha linda Giulia nasceu. Com apenas 30 semanas, 1.260 gramas e 38 centímetros. Ela nasceu para me salvar.

Ouvi o chorinho dela e pude beijá-la rapidamente. Fiz transfusão de sangue, pois precisava de plasma e plaquetas. Fiquei 24 horas na UTI e no dia seguinte, a conheci. Era tão pequeninha mas tão guerreira... Nas minhas primeiras visitas, só chorava, me sentindo culpada pelo seu nascimento. Aos poucos tudo foi se transformando em fé e confiança na sua recuperação. Graças a Deus, a nossa pequena guerreira, não teve nenhuma sequela pela prematuridade, só a dificuldade respiratória.

Passamos por vários sustos com ela, porém sempre tivemos muita certeza de sua recuperação. Após quatorze dias de internação, a Giulinha chegou a 1.500 gramas. Foi a primeira vez que pudemos pegá-la no colo. Eu e meu marido ficamos radiantes! Entretanto, no outro dia ela teve cinco apneias e teve que ser entubada novamente.

Foram dias difíceis. Ser mãe de UTI não é tarefa fácil. Após 36 dias de UTI, a Giulinha recebeu alta com 1,960 quilos. Meu marido pensou em comprar um oxímetro, para monitorarmos a respiração dela (coisas de pais de prematuros). Fomos para casa e nem dormimos. Ficávamos olhando para ver se ela estava respirando. No dia seguinte, ela tomou banho e, perto das 14h, fui amamentá-la. Ela mamou um pouquinho no seio, mas resolvi dar o complemento na mamadeira. Minha mãe deu a mamadeira. Ouvi minha mãe gritando e fui correndo ver o que tinha acontecido. A Giulinha estava roxa. Pensamos que tinha caído a sua saturação. Gritei para o meu marido chamar a nossa vizinha da frente, que é enfermeira. Ela entrou correndo e a pegou. Giulia estava afogada!

Foram os minutos mais apavorantes de nossas vidas. Giulinha ficou toda roxinha. Naquele momento pensei que iria perdê-la. A enfermeira estava apavorada, mas foi batendo em suas costinhas e após um tempo ela foi voltando. Ficamos muito nervosos, ligamos desesperados para a UTI e a médica de plantão nos pediu para levá-la até lá. Ela foi examinada, e felizmente estava tudo bem. Porém ela ficou internada novamente, para ficar em observação. Foram mais dez longos dias de UTI.

No dia 26 de outubro de 2010, Giulinha recebeu alta novamente, com 2,150 quilos. Ficamos internadas (eu e ela), mais três dias em um apartamento na maternidade, para vermos como seria sua adaptação. No dia 29 de outubro, finalmente fomos para casa e pudemos curtir a nossa pequena em tempo integral.

Nossa princesa foi registrada com um segundo nome: Maria, que homenageia a maior de todas as mães e aquela que a protegeu e irá a proteger durante toda a sua vida. Tomei vários remédios para voltar a ter a pressão normal, e milagrosamente não tive nenhuma sequela em função da Síndrome HELLP. Hoje minha pressão arterial está estável.

Nossa boneca está com 9 meses, 7,800 quilos, linda, sapeca e cheia de saúde! Lutamos e vencemos, somos um milagre da vida! Agradeço de todo o coração ao meu marido, aos meus familiares (em especial a minha mãe e meu pai), nossos amigos que muito oraram e nos deram força! Estamos bem e muito felizes!


Editado por Monica mãe de Beatriz

Quer ler aqui a história de seu bebê? Mande um e-mail com fotos e autorização para: pequenosguerreiros@hotmail.com.
Todas as histórias são editadas antes de serem postadas.
O Projeto Pequenos Guerreiros apoia a amamentação do prematuro ao seio.
Não nos responsabilizamos pela veracidade dos fatos.
O Projeto Pequenos Guerreiros é a favor da liberdade de credo.

5 comentários:

  1. Deus seja louvado! Admiro demais esse meu Deus por essas histórias lindas que ele é capaz de mudar.
    Linda menina!!!! Vitoriosa , guerreira de Deus!!!
    Saúde pequena linda....

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  2. Minha família tbm está passando por essa angustia...minha irmã passou por tdo isso e a minha sobrinha Antonella continua na Uti hj faz 36 dias...estamos com o coração partido...

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  3. Me emocionei ao ler... a Suzi foi minha colega de faculdade uma menina linda.. doce .. e muito querida! viviamos juntas em tudo na sala, no laboratório, nos trabalhos e quando sua mãe fazia creme de milho com frango a milanesa rsrsr.. eramos só alegria! Fiquei triste em saber que você passou por algo tão delicado minha querida, mas fico imensamente feliz por saber que vocês estão bem e que sempre estaram! Deus é fiel!
    Que os seres de luz sempre acompanhem vocês Sú e mesmo apesar da distância se precisar eu estou aqui! Beijo a todos na sua casa! Saudade!

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  4. Ola.. Sei que o post eh antigo mas eh reconfortante saber que tudo deu certo.. Estou de 32 semanas e dei entrada no PS com pré eclâmpsia grave ha 12 dias e tbm fui sulfatada.. Antes já estava em tratamento em casa mas não adiantou.. Agora esta evoluindo para HELLP porem permaneco internada na semi uti sob monitoramento constante meu e da bebê.. Confio muito em meu medico que diagnosticou rápido e esta aqui comigo diariamente mas a sensação de impotência e de ser responsável por um nascimento prematuro eh muito ruim.. Eh minha terceira gestação e nas duas primeiras não tive nada. Estou confiante e minha pequena esta com peso bom por enqto mas a qq momento pode precisar nascer e a ultima coisa que eu desejo eh que ela fique na UTI. Bom saber que tudo deu certo pra vcs!!!!! :)

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