terça-feira, 14 de junho de 2011

Prematuro a luta pela vida, a história do Pequeno Guerreiro Rafael e da mamãe Martha

Rafael e seu tigrinho,
com dois meses e meio!
Martha nasceu prematura de cerca de seis meses, anos depois, vê sua história se repetir com seu pequeno Rafael. Acompanhe este emocionante relato!

Depois de um ano de casados eu e meu marido resolvemos aumentar a família e começamos a tentar uma gravidez. Após oito meses, nosso tão sonhado positivo aconteceu! Foi uma alegria fora do comum! Logo já comecei o pré-natal pra que tudo desse certo. Com treze semanas ouvimos seu coração bater pela primeira vez, meus olhos e os de meu marido ficaram cheios de lágrimas, foi uma emoção muito grande. Na 17ª semana, descobrimos que estávamos à espera do nosso Rafael.

Em uma das consultas perguntei à minha médica se não havia a possibilidade, mesmo que remota, de meu filho vir a nascer prematuro, já que eu nasci prematura de mais ou menos 27 semanas. Ela disse que não que não precisava me preocupar com isso, esqueci o assunto e tudo bem. Para minha infeliz surpresa, quando estava entrando no sétimo mês, minha pressão começou a ter picos e isso começou a preocupar a médica e a me deixar assustada. Passei a aferir a pressão pelo menos três vezes por semana no posto de saúde
próximo à minha casa e reduzisse o sal. Segui a risca mas como era verão comecei a ficar pesada e inchada demais. Já não sabia mais o que era canela ou tornozelo.

Num domingo acordei e não senti meu filho mexer. Fiquei preocupada e fui correndo para a emergência da maternidade. Na sala de espera o danado resolveu dar sinal de vida. Depois disso comecei a ficar mais preocupada ainda pois mediram minha pressão e ela estava alta demais. O médico disse que eu continuasse monitorando e que caso continuasse assim que voltasse lá. Na semana seguinte, um sábado pela manhã, acordei com uma dor muito forte na boca do estômago, não conseguia comer direito nem ficar deitada pois meu filho se mexia muito. Estava, também, mais inchada que o normal. Acordei meu marido e pedi que fosse comigo para o hospital. Chegando lá, passei a sentir fortes dores que vinham das costas pra barriga e comecei a chorar desesperada achando que meu filho ia nascer antes do previsto. Mas Graças a Deus não aconteceu naquele momento. A enfermeira mediu minha temperatura e pressão. Mais uma vez estava alta demais. Pediu que fizesse repouso na maca por vinte minutos e aferiu novamente. O residente fez, então, exame de toque e ouviu o coração do meu filho. Estava tudo ótimo com ele, só a minha pressão que havia resolvido ficar louca. O plantonista prescreveu exames de sangue e urina, quaisquer alterações, ficaria internada no pré-natal de alto risco. Rezei muito para que não acontecesse. Queria ir pra casa e levar minha gravidez até o final. Sabia que se fosse internada eles iam ter que tirar meu filho antes. Não teve jeito, os exames deram alterados
e me internaram no sábado de carnaval, 5 de março de 2011. Meu marido foi fazer a internação enquanto eu, no quarto, alimentava a esperança de sair de lá logo e ainda com meu filho na barriga.

Nem sempre as coisas saem como esperamos. Os dias foram se passando e minha pressão não estabilizava. Minha preocupação com meu filho só aumentava, apesar dos médicos ficarem monitorando o coração dele noite e dia. Antes de decidirem tirá-lo fiz uma ultrassonografia e ele estava muito bem, com dois quilos e pouco. Três dias antes dele nascer me deram as duas injeções de corticóide para fortalecer seus pulmões. Tínhamos esperança que Rafael nascesse com mais de dois quilos e não ficasse muito tempo na UTI Neonatal, mas não foi isso que aconteceu.

No dia 14 de março de 2011, às 21h38, meu príncipe veio ao mundo, roxo, com 1.995 gramas, 44 centímetros e 34 semanas e 2 dias de gestação. Não ouvi seu choro quando o tiraram de dentro de mim, fiquei desesperada! Pedia ao meu marido que fosse ver o que estava acontecendo, já que eu não podia levantar da maca. Ele viu a enfermeira tirando a secreção que tinha dentro dos pulmões, por isso não chorava. Quando ouvi seu chorinho foi como música para meus ouvidos. Queria vê-lo e me mostraram rapidamente pois ele precisava ir para o oxigênio. Chorei de emoção e de decepção comigo mesma, por não ter conseguido levar a gravidez pelo menos até 38 semanas.

Deus sabe o que faz, deixei nas mãos Dele. Meu marido foi ficar com Rafael na UTI enquanto terminavam a cirurgia. Só fui ver o bebê novamente no dia seguinte. Meu marido passou a madrugada toda ao seu lado. No dia seguinte, vi que era bem pequeno e magrinho. Tive dó de vê-lo cheio de fios e respirando com dificuldade. Só queria pegá-lo no colo e sair dali correndo. Aos poucos fui me acostumando com o fato dele estar ali, internado. Ele não precisou de incubadora, foi direto para o berço aquecido. Precisava aprender a respirar sozinho e ganhar peso para poder ir pra casa.

Passaram-se os dias, a primeira vez que o peguei no colo foi uma emoção muito grande! Rafael choramingou mas quando ouviu minha voz se acalmou. Eu não queria mais soltá-lo! Era uma sensação muito boa. No quinto dia de vida já começaram a dar meu leite para ele e com uma semana passou a sugar no seio, ainda com um pouco de dificuldade. Com 2,100 quilos fomos para o Mamãe Canguru, um alojamento onde mãe e bebê ficam juntos para que eu me habituasse à rotina dele. Ficamos cinco dias, totalizando onze dias de internação dele e duas semanas de internação minha. Fui mais segura para casa. Rafael teve alta dia 30 de março de 2011, com dois quilos e 165 gramas, mamando só ao seio.

No dia seguinte ele teve a primeira consulta com o pediatra. Fiquei triste quando ele o pesou e notamos que havia emagrecido cinquenta gramas. Foi quando começamos com o complemento. Ele faz acompanhamento do peso semanalmente no posto de saúde e está mamando ao seio e complemento. Hoje completa três meses de vida e pesa mais de cinco quilos! Está muito esperto, com ótima saúde e não pegou nem gripe. Todos os dias agradeço a Deus por esse presente maravilhoso que ele me deu. Meu filho tem me ensinado muito, é um privilégio ser mãe dele!


Editado por Monica mãe de Beatriz

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