segunda-feira, 6 de junho de 2011

Prematuro, a luta pela vida: a história do Pequeno Guerreiro João Vitor e da mamãe Caira

João Vitor: o orgulho
da mamãe Caira!
João Vitor superou a distância e a falta de recursos de uma cidade pequena e depois de setenta e cinco dias de batalhas, encheu de orgulho sua família, em especial a mamãe Caira que nos conta detalhes desta história emocionante.

Tudo começou quando após dois anos e meio de casamento resolvemos que queríamos um bebê para completar a família. No primeiro mês que tentamos lá estava a gravidez, engravidei muito rápido! Tinha 25 anos e meu marido 30. Fiz todos os exames, a gravidez estava super bem. Não sentia nada, apenas a emoção de ter um bebê se formando dentro de mim. Por volta da 16ª semana descobrimos que era um menino, o nome escolhido foi João Vitor.

Continuava trabalhando, estava preparando o enxoval, fiz chá de bebê. Até que em uma noite, após o reveillon de 2007, estava dormindo quando senti algo estranho e molhei a cama. Fui ao banheiro e perdi muito líquido. Estava com apenas 27 semanas de gestação. Fomos para o hospital, eu estava tranqüila pois não sentia nada, pensei apenas ser algum problema simples. Quando chegamos ao hospital descobri que a bolsa havia rompido, como isso podia acontecer se eu tinha apenas seis meses de gestação? Fui internada, foram feitos alguns exames e permaneci ali por três dias. O médico dizia que se meu bebê nascesse, não teria chance alguma de sobreviver. A todo momento, monitoravam o coraçãozinho dele.

Na quarta noite, comecei a sentir contrações e meu filho acabou nascendo de parto normal às 05h05 da manhã do dia 5 de janeiro de 2007, pesando apenas um quilo. Foi quando o sofrimento e a correria aconteceram. O pediatra começou a telefonar para todos os hospitais de Santa Catarina para tentar uma vaga na UTI Neonatal, no hospital em que estávamos não tinha UTI para meu bebê. Nenhum hospital ou clínica parecia ter vaga, enquanto isso meu bebê era ambuzado, pois nem respirador eles tinham. Foi então que uma clínica de Florianópolis, Santa Helena, deu resposta positiva. Conseguimos uma vaga na UTI.

Então o médico começou a procurar uma ambulância para levá-lo. Minha cidade, Tubarão, fica a 144 quilômetros de Florianópolis. Enquanto a correria continuava, meu filho teve uma parada cardio-respiratória e teve que ser reanimado. Meu marido seguiu com nosso bebê na ambulância. No meio do caminho, a ambulância ainda furou o pneu e teve que parar em uma borracharia com o meu filho lá dentro.

João Vitor chegou ao hospital ao meio-dia. Do nascimento até aquele horário ficou sendo ambuzado por um pediatra, pois não tinha ventilação mecânica na ambulância.
No hospital todos esperavam pelo bebê de Tubarão, ele foi muito bem cuidado lá. São pessoas maravilhosas que cuidam de nossos guerreiros nas UTIs.

No dia seguinte pela manhã tive alta e fui direto até lá. Quando vi meu filho pela primeira vez, chorei muito. Nunca tinha visto um bebê tão pequeno e frágil. Fiquei assustada e ao mesmo tempo feliz por ele estar ali vivo, apesar de muitos aparelhos que não entendia.

Durante os primeiros quinze dias de internação, ele estava muito fraco mas evoluía dia-a-dia. Tinha saído do respirador e ido para o CPAP, já estava recebendo alguns mililitros de leite quando, de repente, começou a cair a saturação. Ele teve mais uma parada cardio-respiratória. Ficou quase uma hora parado. Foi feita injeção de adrenalina no coraçãozinho para voltar. Quando voltei à sala, ainda estava ainda todo roxinho e não se mexia, foi o pior dia da minha vida.

Eu estava em uma cidade distante da minha, mas descobrimos uma família de tios do meu marido que nos acolheram em sua casa. Pessoas que até então eu nunca tinha visto e foram anjos que nos hospedaram e deram muita força. Após vinte dias, meu marido teve que voltar a trabalhar e ia aos finais de semana para ficar conosco. Eu passava os dias inteiros sentada ao lado do meu filho apenas observado, só saia da UTI a noite para descansar. Quando pude pegá-lo no colo por apenas alguns instantes, já fazia mais de um mês que estávamos ali.

Vivemos assim por setenta e seis longos dias, até que, após muitas intercorrências, apnéias, infecções, anemias e recaídas, pudemos ter alta e ir finalmente pra casa. Somente os pais de UTI sabem o quanto são esses longos dias.

Eu e meu marido sempre tentamos ser fortes e passar calma e força para nosso guerreiro. Por muitas vezes nos desesperamos, mas sempre recorríamos a Deus e buscávamos força nele, pois acho que nestes momentos só ele é quem pode socorrer.
Hoje o João Vitor está com quatro anos, é uma criança totalmente saudável, muito alegre e a minha razão de viver. Somos muito ligados e sei que ele é um verdadeiro guerreiro e vencedor pois desde que nasceu já teve que lutar pela vida, apesar do médico ter dito que ele não agüentaria, essas crianças são milagres que ninguém explica.


Editado por Monica mãe de Beatriz

Quer ler aqui a história de seu bebê? Mande um e-mail com fotos e autorização para: pequenosguerreiros@hotmail.com.
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2 comentários:

  1. Me identifiquei muito com a tua história, Caira! Também sou de SC e no momento estou longe da minha casa e de tudo o que estou acostumada por essa dificuldade enorme que temos no estado em termos de UTI's neonatais. Minha princesa, a Valentina, nasceu de seis meses também e estamos na luta. Espero que depois de todo esse sofrimento passar eu possa vir até aqui contar nossa história com um final feliz como a de vocês!

    Madi.

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  2. Nossa ate parece que fui eu quem escreveu essa historia, meu pequeno Arthur esta passando por tudo isso,parada cardio respiratoria, respirador,CPAP, infecção, apnéia, anemia, eu tambem vi o meu filho logo depois da parada, e de coração, não desejo isso pra ninguem, não tem nem como explicar o tamanho da dor. Espero daqui alguns dias, poder voltar e dar o testemunho da vida do meu filho,assim como a Caira.Que Deus me abençoe pra que eu tenha um final feliz assim como o seu. Parábens pela força viu, só agente que é mãe sabe o quanto é dificil passar por isso. Mas Deus esta no comando sempre!
    Amanda.

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