sábado, 11 de junho de 2011

Prematuro, a luta pela vida: a história da Pequena Guerreira Sophia e da mamãe Simone

Parabéns, Princesa Sophia!
Hoje é aniversário de Sophia e a mamãe Simone nos pediu como presente contar sua história em homenagem a essa grande guerreirinha! Parabéns, Sophia! Você merece, bonequinha!

Sempre tive muita fé em Deus e ela foi provada e aprovada em nossas vidas. Conheci meu marido pela internet e no dia 11 de novembro de 2000 começamos a namorar e depois de sete anos nos casamos. Sempre fui molecona e a maternidade era algo que passava às vezes pela minha cabeça, até que em 2009 descobri um adenoma de hipófise que é um tumorzinho benigno. Ele faz com que seu corpo reaja como se estivesse grávida, produz leite e por isso dificulta muito a gravidez. Aí minha ficha caiu: 36 anos e agora?

Comecei o tratamento com uma medicação muito cara. Dois comprimidinhos por vidro que custavam àquela época quase cem reais! Quando fizemos três anos de casados, dia 1o de novembro de 2009, falei para o meu marido que deixaria de prevenir uma gravidez e que, se fosse vontade de Deus, um dia engravido... E não é que dia 26 de dezembro, daquele mesmo ano, já tinha meu positivo?!

Então começou a minha jornada. Tive o primeiro sangramento, repouso absoluto por três meses. Neste tempo eram idas e vindas do pronto socorro. Um deles foi assustador. Levantei para ir ao banheiro e achei que estava abortando, foi muito difícil. Fomos ao pronto socorro e no pedido para o ultrassom estava escrito aborto! Mas naquele dia foi quando ouvi o coração da minha princesinha pela primeira vez choramos muito de emoção e alívio! Continuei o repouso por mais dois meses, no quinto mês fui liberada para vida normal, voltei até a dirigir.

Minha barriga começou a aparecer e aí comecei a curtir a gravidez! Só no morfológico descobri que não era Enzo e sim Sophia. Era tudo muito bom! O sexto mês chegou e mesmo não tendo ganho muito peso (só recuperei os 3 kg que havia perdido no início) me sentia MUITO cansada. Para andar era um sufoco! No dia 10 de junho de 2010, meu pai ficou muito doente e dirigi quase o dia inteiro levando de um lado para o outro. Sentia contrações, mas pensei serem as de Braxton. Cheguei em casa, tomei um banho e deitei. Lá pela uma da manhã senti uma fisgada e qual foi a minha surpresa ao perceber que o bendito sangramento tinha voltado!

Corremos para o pronto socorro e fui transferida para o hospital e maternidade do convênio. Fiquei em observação até a manhã do dia 11 para fazer a ultra e não tinha nada de alarmante, mas o sangramento aumentou e o obstetra constatou um centímetro de dilatação. Fui informada que seria internada porque estava em trabalho de parto prematuro. Foi uma sensação de impotência e culpa sem tamanho.

As contrações começaram e fui levada ao centro cirúrgico por engano e fiquei naquela sala fria por duas horas, longe do meu marido todo o tempo era só eu e Deus! Depois de resolvida a confusão, fui para uma ala onde as pessoas ficam para aguardar uma cirurgia. Detalhe, a minha obstetra estava de licença e ninguém encontrava a criatura!

Fiquei das 9h às 21h cercada de pessoas desconhecidas, meu marido só conseguia me ver rapidinho. Logo era retirado da sala. Meu sofrimento era a solidão, o dele era por não saber o que estava acontecendo. Hoje penso que como tinha hemorragia, imaginaram que eu estava abortando pois não monitoraram a Sophia em nenhum momento.

Quando a substituta da minha obstetra apareceu, já era 19h. Eu estava com oito centímetros de dilatação, passei o dia no soro e não tinha adiantado, minha bonequinha queria sair. A doutora me colocou no “sorinho do terror” e logo dilatei por completo e fui levada sozinha novamente para o centro cirúrgico. Já estava fraca e debilitada por conta do sangramento que, a essa altura, tinha virado uma hemorragia.

Às 20h30 ela nasceu com 915 gramas e 33 centímetros. Confesso que não me sentia mãe pois não a vi, não ouvi seu choro, não pude (como sempre vimos nos vídeos) beijá-la e tirar fotos. Nada lá me lembrava os partos aos quais tinha assistido.

Meu marido só conseguiu me ver umas duas horas depois, quando ele descobriu que ela havia nascido! Ele veio me ver e correu para a UTI Neonatal. Um enfermeiro falou que daquele tamanho dificilmente sobreviveria e se sobrevivesse teria muitas seqüelas.

No dia seguinte a visita foi às 15h, chegamos àquele lugar desconhecido e cheio de máquinas. Notamos que só uma incubadora não tinha pais. Quando chequei lá, tomei um choque! Não parecia um bebê mas uma bonequinha! Confesso que a achei até feia, ela parecia mais um feto. Foi tudo tão confuso... ela tinha pêlos por todo o corpo e era pele e osso. Nem lábios tinha. Quando o doutor chegou, começou o tormento: bebê grave, risco de morte, seqüelas, infecções, hemorragia... Não via à hora da visita acabar queria fugir, sumir!

Ali começava nossa luta. Foram 103 dias de muitas incertezas, medo, alegria. Sophia chegou a pesar 790 gramas e sofreu muitas transfusões. Ficou entubada mais de dois meses. Teve pneumonia aspirativa, atelectasia, enterocolite, convulsão, hemorragia intracraniana grau I, sepse , KPC ,apnéias e depois hérnia ingnal bilateral.

Em um episódio, ela já estava bem, cogitavam extubá-la, quando, de um dia para o outro, ficou pele e osso e me falaram que ela tinha adquirido um “bicho” (como chamam infecção). Se em três dias o antibiótico não combatesse, não tinha mais o que fazer. Chorei feito uma criança em frente à incubadora aquele dia, mas graças a Deus ela reagiu e dali só foram alegrias! Saiu do tubo, foi para o CPAP e depois de um tempinho foi para o berçário. Sophia sempre foi muito ativa. Tirava tubo, sonda, soro. O apelido dela era pipoquinha, de longe a gente via ela se mexendo na incubadora!

Hoje ela completa um ano e é esperta que só! Já engatinha e agora mesmo está no meu colo tagarelando! Nem de longe parece aquele bebezinho que nasceu dia 11 de junho de 2010, graças a Deus!


Editado por Monica mãe de Beatriz

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