segunda-feira, 30 de maio de 2011

Prematuro, a luta pela vida: a história do Pequeno Guerreiro João Antônio e da mamãe Cristiane

Nem o próprio João resiste
a seus pezinhos rechonchudos!
João Antônio é um guerreirinho que, além da prematuridade, venceu a cranioestenose (fechamento precoce de algumas fendas do crânio. Três meses após a cirurgia, a mamãe Cristiane nos conta sua batalha!

Olá, meu nome é Cristiane tenho 32 anos, e dois filhos lindos. Maria Laura que graças a Deus nasceu sem maiores problemas e hoje tem 06 anos, e o meu pequeno guerreiro João Antônio. No começo da gestação dele tudo corria bem. A partir do quarto mês minha pressão começou a subir e consequentemente vieram vários problemas. Me sentia mal, cansada e muito inchada. Meu obstetra me pediu vários exames e descobrimos que além da pressão alta estava também com hipotiroidismo, diminuição das plaquetas e que o funcionamento do meu fígado estava começando a ser comprometido.

A partir daí comecei a fazer ultra som com doppler de 15 em 15 dias para verificar o desenvolvimento e a saúde do meu João. Fiquei afastada do trabalho, em repouso absoluto para tentar segurar a gravidez o máximo possível. Em um ultrassom, foi constatado que a placenta já havia amadurecido. Fui internada com a pressão altíssima. O bebê não estava ganhando muito peso, o que me deixava ainda mais angustiada e ajudava ainda mais a aumentar a pressão.

Tomei duas injeções para o amadurecimento do pulmão do meu bebê caso ele tivesse que nascer antes da hora e fui transferida para outra cidade onde o meu plano cobria, pois onde estava não tinha vaga na UTI Neonatal. No dia 12 de julho de 2010, minha pressão subiu demais. Engraçado, pois não sentia dores, só um leve mal estar e via luzinhas piscando. Fiz uma doppler com urgência no hospital e alguns exames de sangue. Um susto! O médico chamou a mim e ao meu marido para uma conversa e disse que teria que fazer uma cesária de emergência pois a placenta havia calcificado, estava seca. Eu e o bebê corríamos risco.

Neste momento o mundo desabou sobre mim, eu tremia muito e não conseguia parar. Um misto de medo e ansiedade, sabia que o João ainda não estava preparado para nascer naquele momento mas não tínhamos escolha. Aos dez minutos do dia 13 de julho de 2010, com 33 semanas, 1,600 quilos e 42 centímetros, vinha ao mundo meu João. Só pude vê-lo, já o levaram para a encubadora e eu fui para a UTI. Três dias depois conheci meu pequeno. Graças a Deus ele não precisou de oxigênio, conseguia respirar sozinho. Mas, ainda assim, foi muito triste pois não podia pegar meu bebê no colo, sentir seu cheirinho nem dar de mamá. Ele se alimentava pela sonda, não tinha forças para sugar, estava ligado a vários fios e com óculos para tomar banho de luz. Fiquei no hospital depois da minha alta mas não tinha meu bebê no quarto comigo, a distância da minha família também fez com que eu sofresse.

Depois de dezoito dias ele pode enfim ir para o quarto comigo. Então veio o medo novamente. Um bebê tão pequeno sob minha responsabilidade! Ainda estava com a sonda que foi tirada aos poucos até ele conseguir mamar no peito e ganhar peso. Ficamos por mais vinte e três dias no hospital e, graças a Deus, conseguimos vencer esta batalha. Fomos para casa no dia quatro de agosto de 2010. Meu bebê tinha 1,900 quilos e 44 centímetros, com os medos e receios de uma mãe que leva um bebê tão frágil para casa mas que tem um amor tão forte que a faz acreditar que é capaz de tudo.

Primeira batalha ganha mas a guerra não tinha acabado. Com cinco meses de vida, o pediatra percebeu uma alteração na cabecinha do João. Fizemos então uma tomografia e foi constatado que ele estava com cranioestenose que é o fechamento prematuro de uma ou mais suturas cranianas. A forma do crânio se modifica, devido ao impedimento do crescimento normal do cérebro. Esse fechamento precoce pode causar deformidades na cabeça e até graves lesões neurológicas. Começou mais um sofrimento. Fiquei me perguntando por que comigo, se fiz algo errado durante a gravidez que pudesse ter causado isso, se era minha culpa e do meu marido, não sei. Coisas de gente desesperada. Tinha medo de que meu bebê não conseguisse se desenvolver normalmente, ficar com seqüelas... entreguei nas mãos de Deus a vida do meu filho.

No dia dezessete de fevereiro de 2011, com sete meses, no hospital Pequeno Príncipe em Curitiba, ele fez uma cirurgia para a correção da cranioestenose. Foi de longe o pior dia da minha vida. Não tem momento pior do que a hora de entregar seu filho para o neurocirurgião e esperar angustiantes horas (quatro horas para ser exata) pelo fim da cirurgia para depois o ver passando todo intubado a caminho da UTI.

Quase não reconheci meu filho quando o vi pela primeira vez após a cirurgia, na visita à UTI. Estava muito inchado, sedado, sentia muitas dores quando acordava meio sonolento, sem abrir os olhos porém de tão inchado que estava. A respiração era difícil e não conseguia chorar, ou melhor não saia som devido ao tubo. Ver um filho sofrer e não poder diminuir a sua dor, é sofrer em dobro. Os exames pós cirúrgicos não foram muito bons, ele teve que tomar sangue novamente e o medo de uma hemorragia surgiu. Mas graças a Deus a força do meu guerreiro foi grande e ele começou a se recuperar, fomos então para o quarto depois de três dias na UTI. Sentia ainda muitas dores. Não conseguia dar a mamadeira para ele, já que não podia nem tocar na sua cabeça. Mamava deitado, com cuidado para não aspirar o leite. No dia seguinte, uma alegria maior, João conseguir abrir um pouquinho um dos olhos! Fechados ainda devido ao inchaço. Me viu, deu um sorrisinho tímido que foi o suficiente para ter certeza de que Deus iluminou meu filho e deu forças para vencer mais esta batalha. Da mesma maneira que esse sorriso ilumina a minha vida!

Hoje ainda estamos em recuperação pós cirúrgica, visitamos o neuro constantemente. O medo das sequelas persiste. Estamos rezando e temos fé de que não será preciso outra cirurgia. O João está com dez meses e meio, pesa 8,300 quilos e 67 centímetros. É um bebê muito esperto, já faz as suas artes, fala mama e papa. Espero em Deus não precisar passar por isso novamente. Se precisar, sei que tudo na vida tem um propósito, tudo passa, e que Deus não dá a cruz maior do que possamos carregar! Esperança e Fé sempre!


Editado por Monica mãe de Beatriz

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