segunda-feira, 9 de maio de 2011

Prematuro, a luta pela vida: a história do Pequeno Guerreiro Eduardo e mamãe Cinthia

Cinthia foi minha amiga e inspiradora durante a estada da Bia na UTI sem nem ao menos saber...coisas de internet! Lia seus curtos relatos sobre a prematuridade extrema de Dudu na comunidade do Orkut Pediatria Radical. Fiquei muito feliz quando recebi sua história para publicarmos aqui no blog!

Ontem e hoje o
Super Dudu!
”Casei e engravidei logo depois, foi uma alegria muito grande, primeiro filho, neto, bisneto, sobrinho, enfim... Tudo corria muito bem, mil planos, louca pra que chegasse os dias de fazer ultrassonografia! Minha mãe e meu marido disputavam uma vaga na sala da minha ginecologista, até que na 13ª semana descobrimos o sexo. Era um MENINO!

Minha mãe perdeu um bebê aos sete meses de gravidez que se chamaria Victor Hugo e nos pediu para colocar esse nome caso fosse menino. Concordamos pois meu marido se chama Hugo. Três dias depois, minha mãe disse que havia tido um sonho esquisito e pediu para que não mais nomeássemos como Victor Hugo. Entre dúvidas, resolvemos que meu príncipe se chamaria Eduardo.

Na 23ª semana comecei a inchar, a médica que me acompanhava disse que poderia ser excesso de comida e não pediu exames. Precisamos mudar de plano de saúde e precisei trocar de obstetra. Sem saber, a nova médica, Dra Regina Maria, iria ser a santa que salvaria a mim e ao meu bebê.

Ela se assustou quando me viu inchada daquele jeito e passou diversos exames, mas não tive tempo de fazê-los. Quatro dias depois, num domingo, senti uma forte dor de cabeça. Tomei banho e um remédio mas não passou. Meu marido me levou para o pronto socorro e de lá ligou pra minha ''salvadora'' que veio correndo de outro município para me ver. Começava minha história de superação e força.

Minha pressão estava alta e fiquei internada. Foram seis dias de cochichos para que eu não ouvisse as conversas. Fui bastante sedada. Através de uma ultrassonografia, vi meu príncipe se mexendo muito, que felicidade! De repente sou avisada que precisaria fazer uma cesariana de emergência. Estávamos com 25 semanas.

Não consegui aceitar. Me debatia na cama e dizia “vocês não vão tirar meu filho, ele vai morrer”. Implorei ao meu marido que ele não permitisse, vi uma lágrima escorrer e as palavras “calma, tudo vai dar certo”. Sedada, lembro de ter pedido para que meu marido mantivesse minha fitinha de São Sebastião nas mãos. Assim ele o fez.

Não senti mais nada. Do pouco que lembro do anestesista acariciando minha cabeça e dizendo “você vai ficar bem, tenha fé”. Mais tarde descobri que seu nome era Salvador, era Deus me protegendo. Meu marido não pôde assistir ao parto pois a médica temia me perder e poderia ser traumatizante pra ele. Dra Regina reuniu meus pais e marido e avisou que traria Eduardo ao mundo para me salvar, mesmo sendo muito prematuro. Pediu para que rezassem por nós dois.

Eduardo nasceu no dia 20 de outubro de 2007, às 13h58, pesando 730 gramas e medindo 31 cm. Eu fui direto para o CTI sem ao menos ouvir o chorinho do filho que tanto sonhava em ver o rostinho.

Dudu foi levado de ambulância para uma UTI Neo que cuidaria dele. No CTI eu não podia receber visita todo tempo, somente 20 minutos. Chorava pedindo notícias do meu filho, achava que eles estavam me poupando e meu Dudu tinha ido para o céu. No dia seguinte, meu marido levou a certidão de nascimento para tentar me alegrar um pouquinho, mas queria mesmo era ver meu filho.

Sete dias depois tive alta. No mesmo dia fui ver meu pequeno guerreiro. Estava com dores e a UTI ficava longe da minha casa. Cheguei e o vi tão magrinho, pequenino e indefeso naquela incubadora. Não me contive e desabei a chorar. As enfermeiras me retiraram da sala e me acalmaram. Explicaram que seria muito difícil e lenta a recuperação dele, mas que se eu tivesse fé tudo acabaria bem. E assim foi. Todo dia uma luta. Ganhava dez, quinze gramas por dia e comemorávamos a cada grama ganho!

Foram 95 dias de muita expectativa e fé. Dudu não passou por nenhuma cirurgia, mas a retina quase descolou e por pouco não perdeu a visão. Sua única sequela é um problema no septo devido ao uso prolongado do CPAP. Pois fazia muitas apneias e demorou a amadureceu os pulmõezinhos.

Não amamentei, mas estava feliz em vê-lo lutando pela vida. No dia da alta, foi uma festa, os anjos (enfermeiros que cuidaram dele) choraram de alegria. Foi lindo!

Durante o primeiro ano de vida pouco saíamos de casa. Tomamos todos os cuidados e tudo correu bem. Hoje, Eduardo está com três anos e meio, no Jardim I, é muito saudável e inteligente mas um pouco malcriado! É nossa alegria, uma criança muito amada.

Assim aconteceu nossa história... Mães e pais de prematuros, tenham sempre FÉ e força... Deus cuida do restante."


Editado por Monica mãe de Beatriz

Quer ler aqui a história de seu bebê? Mande um e-mail com fotos e autorização para: pequenosguerreiros@hotmail.com.
Todas as hstórias são editadas antes de serem postadas.
O Projeto Pequenos Guerreiros apoia a amamentação do prematuro ao seio.

4 comentários:

  1. Emocionante.. parabéns, vcs são guerreiros!!!

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  2. Nossa, me emocionei mto!!! Parabéns amiga. Que Deus continue te abençoando. Bjokas

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  3. Nossa, só mães que passaram por uma UTIN sabem o quanto é doloroso, temos momentos de imensa fé e ao mesmo tempo achamos que estamos desamparados... Mas graças a Deus aparecem anjos em nossa jornada que nos auxiliam, as enfermeiras, fisioterapeutas, tec. de enfermagem e médicas do Cetrin foram meus anjos durante os 52 dias que meu filhote ficou lá... Hoje ele tem 3 aninhos e é uma criança saudável, mas com certeza essa etapa da sua vidinha nunca sairá da minha cabeça!!!!

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  4. Puxa, muuuuito parecido com o que eu estou passando agora: os mesmos sintomas, a mesma cesárea de emergência, a mesma semana de gestação... Só que eu tive síndrome de Hellp e a minha Sofia estava ainda menorzinha, com 458 gramas apenas e com uma força na alma avassaladora!!! Infelizmente ela teve que passar por 2 (!!!) cirurgias no intestino que não estava trabalhando e hoje ainda está se recuperando, está apenas com 880 gramas... Na 3a-feira um oftalmo irá examiná-la e eu já estou sofrendo antes da hora... Na verdade, estou sofrendo muito com tudo isso até hoje, era para eu ainda estar grávida, curtindo a minha gravidez... Fui pro hospital no final de novembro com uma mera dor de cabeça achando que não tinha nada de errado na gravidez e praticamente não saí de lá até hoje... :(

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