segunda-feira, 2 de maio de 2011

Johan Victor e mamãe Deise em: Prematuro, a luta pela vida

Johan fazendo cara de mau!
Deise conseguiu manter a gestação de Johan Victor por 28 semanas, indo contra todas as expectativas! Leia o surpreendente relato:

"Depois de um aborto espontâneo com sete semanas de gestação, não me desesperei porque tudo acontece na hora certa. Muito embora não concordemos e muitas vezes nos indignamos com isso. O aborto aconteceu em junho de 2008. Em janeiro de 2009, mais um exame positivo que regrediu. Desta vez não houve atraso então não temos certeza se era gravidez ou não.

Para minha surpresa, dia 18 de abril minha menstruação não apareceu. Fiz um teste de farmácia e com ele meu positivo bem discreto. Confesso que não acreditei, nunca confiei em teste de farmácia. Não fiquei pulando de alegria, pois tinha muito medo de mais uma vez não evoluir. Dois dias depois do atraso, estava com muita azia e fui parar na emergência do hospital, lá o médico pediu um exame de sangue, já que não poderia me medicar com algo forte caso estivesse grávida. Veio o resultado positivo e eu ainda apreensiva. Liguei para minha médica que pediu que eu fizesse o beta quantitativo, um exame mais detalhado, para termos certeza que estava evoluindo. Para minha surpresa, até então estava tudo bem!

Fiz a primeira ecografia e começou meu martírio. Foi diagnosticado saco gestacional pequeno para o tamanho do embrião e no ovário esquerdo imagem suspeita de gravidez ectópica, mas ouvimos o coração do bebê... Saí de lá arrasada, com muito medo de perder meu filho. Repetíamos a ecografia de quinze em quinze dias e sempre o mesmo diagnóstico. Para piorar, foi diagnosticado oligohidrâmio, pouco liquido amniótico. E lá fui vai eu ficar vidrada na internet procurando uma forma de salvar meu filho.

Me desesperei, virei uma pedra de gelo, nossa, fiquei sem rumo mesmo... Até que com onze semanas tive um sangramento enquanto estava no mercado tive um sangramento. Pensei estar perdendo meu filho. Lá fomos nós pra maternidade. Mais uma ecografia. Eu estava com descolamento do saco gestacional, pouco líquido e taquicardia fetal. O médico muito bom, para não dizer o contrário, falou que meu filho morreria em minha barriga dentro de 48h. Saí de lá arrasada. Mas com 12 semanas fizemos a ecografia morfológica do primeiro trimestre com o melhor médico de medicina fetal da região e estava tudo bem. Achei que meu tormento havia terminado...

Com 17 semanas, outra ecografia, suspeita de RCIU, insuficiência placentária, repetir o exame em duas semanas. Meu tormento apenas tinha me dado uma trégua. Minha obstetra tentava me manter calma e esperançosa mas não conseguia. Para mim era mais fácil conviver achando que não daria certo do que alimentar falsas esperanças. Confirmou-se o diagnóstico de insuficiência placentária e nada se podia fazer.

Meu bebê, apesar de ativo, não estava crescendo nem engordando. Eu só sabia chorar. Houve pessoas que me carregaram no colo com palavras de consolo, mas o médico foi enfático em dizer à minha obstetra que meu bebê não chegaria ao final de 20 semanas. Passei a tomar remédios para a pressão e para dormir. Fui encaminhada, também, a um psiquiatra para trabalhar com seria quando meu bebê se fosse. Estranho, né...

Passaram-se as semanas e eu indo pra emergência sempre achando que meu bebê não estava mais comigo mas lá estava o coraçãozinho dele batendo forte e me dizendo “estou aqui, mamãe”.

Com 26 semanas, tive o pressentimento que minha obstetra iria me internar. Não sei o porquê mas sentia isso. Dia 15 de setembro minha pressão foi para 15x10, ela pediu que fosse para a emergência mas não disse que ia me internar. O plantonista auferiu a pressão, que estava normal, mas disse que iria fazer minha internação por ordens de minha obstetra. Foram inúmeros exames e reuniões até decidir se a cesariana seria feita ou não.

Com 27 semanas, pensava “meu filho vai nascer e vai sobreviver pois está na melhor UTI Neonatal de Salvador”. Minha médica desmarcou o parto e eu chorando, não aceitava a possibilidade do meu filho morrer na minha barriga. Lia sobre a UTI do hospital, via fotos de bebês nascidos de 24 semanas e que estavam grandes e sadios. Falava para a psicóloga que queria fazer logo o parto, porque a idéia da minha placenta e do meu útero serem os culpados pela sua morte, era muito para mim.

Meu caso foi para congresso. Os médicos não entendiam como, nesta altura, eu estava já com 28 semanas. O cordão umbilical com diástole zero e meu bebê ainda ativo dentro de mim. Já estava há quase um mês no hospital, meus filhos a Deus dará. Vinham me visitar e eu tendo que ser forte, vendo eles emagrecerem de saudade minha, assim como eu de saudade deles. Fiz amizade com a equipe do hospital, todos torciam por um final feliz.

Dia 9 de outubro escutei a ultrassonografista me dizer “Deise chegou a hora, Johan tem que vir ao mundo aí não é mais lugar para ele”. Às 18h01, hora da Ave-Maria, escutei o choro de meu pequeno grande guerreiro. Nasceu com 32,5 cm e 760gramas. Começou nossa luta na UTI Neonatal.

Eu não conseguia ficar lá. A cada intercorrência com Johan, minha imunidade caía e ficava doente no dia seguinte. Tudo para não entrar. Tive um furúnculo, tomei antibióticos... Fui criticada por não fazer a ordenha. Passei por seis meses de uma gravidez cheia de incertezas, além da minha obstetra, nenhum outro médico acreditou que meu filho viria ao mundo, não sei se teria tido leite. Mas esta é outra história.

Meu filho foi mostrando o quão gigante era a cada dia de superação, não teve intercorrências graves. Só as comuns, como queda de saturação e uma leve hemorragia intracrania por conta da prematuridade extrema. Ficamos na UTI por 101 dias e, como dizem as médicas de lá, foi um bebê que só trouxe alegrias. Johan saiu de lá no dia 18 de janeiro, com 44cm, pesando 2,800 quilos. Hoje Johan já tem 1 ano e 5 meses, está com 78 cm, pesando quase 8 quilos! É muito danado, conversa e presta atenção em tudo. Esta semana começou a andar! Claro que tem o atraso motor por conta da prematuridade, mas está correspondendo muito bem a um bebê de 1 ano e 3 meses que é a idade corrigida dele hoje."


Editado por Monica mãe de Beatriz

Quer ler aqui a história de seu bebê? Mande um e-mail com fotos e autorização para: pequenosguerreiros@hotmail.com.
Todas as hstórias são editadas antes de serem postadas.
O Projeto Pequenos Guerreiros apoia a amamentação do prematuro ao seio.

7 comentários:

  1. Cada vez que leio estas historias me emociono, pois sei o que é ter um bebe tao pequenininho, assim como a minha Valentina que nasceu com 470g e 24 cm. E após tanta luta está ai forte e saúdavel, nos emocionando a cada nova conquista...Parabéns.

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  2. Michele,
    A Valentina é uma das maiores guerreiras de que ouvi falar. Parabéns a vocês!
    Beijos,
    Monica.

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  3. A pior coisa do mundo é a maneira como desenganam nossos filhos quando ainda estão na nossa barriga. Gente, muita falta de sensibilidade!
    Mais uma história pra me inspirar e me dar força pra passar por esse momento e enfim, ter meu Davi no colo!
    Que Deus continue abençoando vocês,
    Grande abraço!

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  4. isso é milagre de Deus pode crer eu estou na pomessa de um filho um dia volto para contar o milagre

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  5. Deise, estou em uma situação super parecida, minha bebê está com RCIU e estou com pouco líquido. Minha grande preocupação é o pulmão pois li muito que o pouco líquido prejudica o desenvolvimento normal. Seu líquido ficava em que patamar? Abaixo de 5? E o pulmãozinho dele se desenvolveu bem? Obrigada por dividir sua história, me dá muita força ver exemplos de sucesso como o seu!
    bjs
    Roberta
    ps: Monica, há como ter o email da Deise caso ela não veja essa mensagem?

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  6. Estamos em situação bem parecida. E seu caso nos dá mais força para sermos positivos. Parabéns a você e a seu filho.

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  7. Estou passando por uma situação mto parecida...meu bebe não está se desenvolvendo,e estou com oligoidramnio de 4 cm. A minha médica não me deu mtas esperanças, mas o meu pequeno guerreiro ainda está lutando...obrigada por compartilhar essa história,que nos enche de fé e de esperança!!! Parabéns ao johan Vitor!!!

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