segunda-feira, 18 de abril de 2011

Gabriela Vitória e mamãe Milene em: Prematuro, a luta pela vida - parte 1

Todas as histórias que leio, edito e posto aqui no blog me tocam muito. A de hoje é ainda mais especial para mim. Gabi era a vizinha de incubadora de Beatriz. Qaundo chegamos, Gabi, papai e mamãe já eram "veteranos" nos campos de UTI. Já estavam há quase um mês. Aos poucos nossa amizade foi se fortalecendo.

Vi Gabi ganhando forças, víamos os dias de choro e os dias de glória, como quando Gabi foi ao colo pela primeira vez, batendo os bracinhos como uma borboleta. Choramos juntas, vencemos a batalha pelo Synagis juntas. E mesmo assim não conhecia metade do sofrimento que minha amiga passou. Chorei muito ao ler o texto.

Esta semana é aniversário de dois anos da minha afilhada de leite! Como estou longe e não posso dar um cheiro apertado, fica a homenagem pelo blog. A história de Gabi vai ser postada em duas partes para que não se percam os detalhes.

Gabi, grande beijo da sua tia de coração e da sua priminha Bia!


"Após 12 anos de casamento sempre tomando pílula, numa consulta de rotina ao ginecologista descobri que estava com ovários policísticos. Comecei o tratamento e logo me preocupei em perguntar se isso afetaria diretamente minha fertilidade, queria ser mãe dentro de um ou dois anos. Para minha surpresa, a resposta foi que precisaria tratar os policistos e passar por um tratamento de fertilidade. Só assim talvez pudesse engravidar. Fiquei arrasada.

Fiz o tratamento por seis meses, retornei ao médico e nada tinha mudado. Teria que continuá-lo por mais um tempo. Me revoltei e parei o tratamento. Era feito a base de anticoncepcionais e segundo a médica não iria engravidar mesmo. Sentia-me inchada, até cinta estava usando. A pele estava horrível, muito mal estar e fraqueza. Fui a um clínico geral fazer alguns exames, desconfiava de alguma coisa na tireóide, pois há algum tempo atrás tinha tido uma alteração. Foram feitos vários exames inclusive teste de gravidez que eu imaginava não ser necessário depois de todo histórico.

Os resultados demoraram sair, era 15 de dezembro 2008, para minha surpresa, resultado POSITIVO para gravidez! Foi um misto de alegria e susto! Não compreendia como tinha acontecido. Tinha sido apenas um mês sem anticoncepcional e, segundo a médica, não tinha possibilidades de engravidar naturalmente. Fiz a primeira ecografia um pouco antes do Natal. Estava ansiosa pra ver o desenvolvimento do bebê e com quantas semanas de gestação estava. Graças a Deus, tudo muito bem por sinal! Estava com nove semanas de gestação pela data da concepção, e para minha maior felicidade eram dois bebês! Fiquei sem chão, era um sonho realizado duplamente.

Não tenho palavras pra descrever a emoção de ver os meus bebês... Fico me perguntando como pode seres tão pequeninos serem donos de um sentimento gigantesco e incondicional de amor e proteção que brota assim que descobrimos que temos uma vida dentro de nós. E no meu caso duas vidas lindas!

Ainda não dava pra ver o sexo dos bebês mas na próxima já daria. Eu e meu esposo choramos de muita felicidade, não podíamos conter dentro do peito tanta emoção. Nossos filhos tão sonhados, desejados e agora muito amados eram realidade que Deus enviou para fazer parte de nossas vidas. Tudo corria bem, sentia muito sono e enjoo. A barriguinha crescia em ritmo acelerado. Uma vontade de comer bolo de abacaxi toda hora. E um desejo enorme de tomar água de chuva! Pois não é que consegui e saboreei até o final aquele copo todo... Interessante é que com três meses e meio de gestação já saia leite das mamas. Incrível como o corpo se prepara.

Foi entrando no quarto mês que fiz a ecografia. Foi um chororô de novo! Agora já dava para ver o sexo. Duas meninas lindas, já grandinhas, com aqueles coraçõezinhos que pareciam cavaleiros correndo! Foi também quando senti mexerem pela primeira vez! Eram gêmeas da mesma placenta, portanto, idênticas. Deveria tomar um pouco mais de cuidado do que uma gestante de um bebê e fazer repouso relativo.

Do quarto mês em diante comecei a cansar mais e inchar mais ainda. A barriga já estava bem grandinha. Fora os incômodos, me sentia muito bem e feliz! Estava com 22 semanas de gestação era março de 2009. Friso esta data porque desde então sempre me lembrarei dela com misto de dor e alegria do que Deus me reservou. Fui à clinica no dia seguinte fazer os exames de rotina. Estava preparada para gravar e eco para que tivessem uma recordação. O exame começou e a médica estava diferente, parecia tensa. Mexeu novamente no equipamento como se estivesse se certificando. Foi quando ela disse, em termos técnicos, o que tinha acontecido. Na maior inocência, perguntei se estava tudo bem.

Ela me explicou que havia acontecido uma síndrome muitíssimo rara, que é quando um bebê passa a ser doador completamente de tudo para que o outro sobreviva. Isto acontece com gêmeos da mesma placenta, é a Síndrome de Transfusão Feto Fetal. Pode acontecer aos poucos ou ser aguda, como foi o nosso caso. De repente aconteceu... perdi uma de minhas filhas.

Mariana estava com 327grs e 17 centímetros. Fiquei sem chão, era como se, literalmente, o mundo tivesse acabado. A dor de perder um filho é inexplicável, é muito triste. Já havia acontecido há pelo menos sete dias. Mais raro ainda era Gabriela, meu outro anjinho, ter sobrevivido. Quando ocorre a síndrome ou os dois bebês vão a óbito, ou o que fica não sobrevive muito tempo, ou ainda nasce com sequelas gravíssimas. Começava ali a grande maratona da vida para minha pequenina Gabriela.

A partir de agora era risco para ela e para mim. O acompanhamento deveria ser minucioso, semanal e com exames mais complexos, para fazer a gestação durar mais. Se Gabriela nascesse naquele momento, segundo o médico, seria como se fosse um aborto, a chance de sobrevivência era muito pequena. Agora sim meu repouso tinha que ser absoluto. Apesar do coração em pedaços, eu me sentia bem para fazer as coisas.

Tudo começou a complicar, estava muito inchada com a barriga no limite quase máximo de crescimento. O líquido amniótico estava acima do que deveria estar, o que significava risco para Gabi. Poderia entrar em trabalho de parto a qualquer momento e ela precisava ficar mais lá dentro. Havia, também, o risco dela ingerir alguma substância do óbito da irmã. Uma infecção seria fatal. Também convivíamos com o fantasma da sequela que poderia ser neurológica, fazendo com que pudesse ficar sem andar, falar, se movimentar, fora outros problemas de saúde. É muito sofrido saber que seu filho tem a chance de não ser uma criança como as outras, com direito de brincar, fazer arte, se divertir, falar mamãe...


Gabriela Vitória com 1 aninho!

Completei 27 semanas de gestação. No início da noite me senti desconfortável. Passei a noite sentada, sem dormir. Começou uma cólica fraquinha, deixei para ir ao hospital de manhã, pois faria exames de sangue. Às sete da manhã, estava com contrações fortes, de cinco em cinco minutos, com perda de líquido. Cheguei ao hospital e tudo estava bem com a bebê. Mas estava em trabalho de parto, com três para quatro centímetros de dilatação. Fui internada, colocado medicamentos na veia. Já estava tomando corticoides. Era um sábado, as dores iam e vinham. A dilatação regrediu. No final de tarde fui ao banheiro e vi que estava sangrando. Foi ali que realmente tive consciência de que minha filha ia nascer mesmo. Até então achava que conseguiria chegar aos nove meses como tantas mulheres conseguem. Achava que tudo ia passar e voltaria à maternidade somente no dia do nascimento da minha princesinha. Não foi assim.

O parto foi tenso. Estava muito nervosa, tinha medo do que poderia acontecer afinal ela era muito pequenina. O papai assistiu ao parto e estava do meu lado me dando muita força. Às 19h12 do dia 22 de abril de 2009, nascia de parto cesáreo, Gabriela Vitória.
"

Volte amanhã para ler a parte final da luta pela vida da Pequena Guerreira Gabriela Vitória!

Editado por Monica mãe de Beatriz


Quer ler aqui a história de seu bebê? Mande um e-mail com fotos e autorização para: pequenosguerreiros@hotmail.com.
Todas as hstórias são editadas antes de serem postadas.
O Projeto Pequenos Guerreiros apoia a amamentação do prematuro ao seio.

4 comentários:

  1. Oi como esta sua garotinha hoje, espero que bem e com bastante saúde, beijos Thais.

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  2. Fico muito feliz por você está com a sua princesinha, eu não tive muita sorte assim, pois perdi meus dois bebes, sim eram dois meninos, descobri que tinham transfusão feto fetal nos quatro meses, mais só cheguei ao quinto mês pois minha barriga ficou enorme e acabei estourando a bolsa e tendo meus filhos normal, mais não sobreviveram pois eram muitos prematuros. Felicidades para você e sua família.e um beijão na Gabi

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  3. Tive a transfusão fetal diagnosticada com 26 semans, e devido a hidropsia fetal na minha manorzinha (doadora), o parto ocorreu com 28 semanas. Duas meninas. A pequena lutou por 15 dias e infelismente faleceu... A maiorzinha, depois de 79 dias de internação, 2 cirurgias, teve alta... Minha alegria não foi 100%, mas Deus permitiu que minha dor tb não o fosse.
    Agradeço a Dra.Tatiana e Dr. Paulo (hospital Sâo Paulo), até registrei minhas filhas com os nomes de Tatiana e Paula. - E agradeço tb a toda equipe da uti neo do hospital Diadema...
    força e fé para todos os que passam ou passaram por isso...

    andreia.(06/09/2011)

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  4. Eu perdi minhas filhas ontem. Cheguei a fazer a fetoscopia mas no dia seguinte ao procedimento a doadora faleceu - Carol - e Manu prosseguiu bem, mas no dia seguinte entrei em trabalho de parto e Manu faleceu durante o parto. Foi horrivel parir e não ter minhas filhas. Tanto sofrimento. Minha STFF foi aguda

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