terça-feira, 19 de abril de 2011

Gabriela Vitória e mamãe Milene em: Prematuro, a luta pela vida - parte 2

Hoje continuamos com a história da minha afilhadinha de leite, Gabriela Vitória. Que venceu uma gestação conturbada e 75 dias de UTI. Para ler a primeira parte, acesse: http://www.projetopequenosguerreiros.com/2011/04/sindrome-transfusao-feto-fetal-historia.html

Gabi, a tia deseja para você muitos aninhos de vida e muita saúde!


"Nasceu com toda força que Deus podia nos mandar. Chorou forte e por muito tempo, para a minha surpresa. Nasceu com 945 gramas e 33 centímetros. Vimos muito rápido pois teve que ser levada para a UTI Neonatal. Quase três horas após o parto fui levada sedada para o quarto e adormeci. Acordei de madrugada com o leite descendo, então comecei a chorar. No meu quarto estavam outras mães que tinham acabado de dar a luz com seus bebês no colo. Eu me perguntava porque que tinha que ser assim comigo. O leite surgindo das mamas e eu não podia amamentar minha filha. Sem contar com a sensação de castração de estar num ambiente onde todas as mães estão com filhos no colo e você não.

Fui ver minha filha logo cedo. Levantei com toda força e com passos de tartaruga me direcionei à UTI Neo. Tudo era diferente e assustador. Entrei sozinha e caminhei até a incubadora isolada onde estava minha pequena. Novamente chorei muito. Era a emoção de conhecer de perto aquele serzinho que veio das minhas entranhas, que eu trouxe ao mundo e que tinha tanta curiosidade de ver o rostinho. A pequena que carreguei com tanto cuidado e carinho por seis meses.

Ao mesmo tempo tinha muito medo de perdê-la, pois era tão pequena cercada de tantos equipamentos, enrolada com gaze e papel laminado, tampão nos olhinhos e medicamento na veia. Imaginava o tamanho que seriam suas veinhas. As perninhas eram da grossura do dedo mindinho da minha mão, a pele era muito fininha, nunca tinha visto algo assim. É muito forte de ver.

Minha vontade era de ficar de plantão lá dia e noite. Tudo foi muito sofrido mas o dia da minha alta foi marcante. A vontade era de não sair de lá. Pensava comigo, como vou deixá-la aqui e ir embora? Foi muito cruel mais era pro bem dela. Foram 75 dias de muito sofrimento. Eram apenas duas visitas por dia e em cada uma delas uma notícia diferente. Sem contar nas madrugadas de desespero que eu meu esposo passávamos."

Companheiras de fisioterapia
aos 4 e 5 meses, respectivamente
Beatriz e Gabriela

Nesses 75 dias foram batalhas e batalhas. Ela precisava ganhar peso, amadurecer e adquirir mais resistência nos pulmões. Fez muitas transfusões de sangue e de plaquetas. Teve infecções e hemorragia intracraniana grau 3, motivo de grande preocupação, pois poderia deixar sequelas gravíssimas. Sem falar na alteração na retina no olhinho esquerdo. Mas graças a Deus ela nasceu, batalhou e sobreviveu a todas as complicações e dificuldades que a vida poderia lhe colocar.

Gabriela é uma lição de vida, luta e superação. Aprendi e aprendo muito a cada dia com ela. Seu primeiro banho aconteceu só quinze dias após o nascimento e não foi dado por mim. Um momento inesquecível foi quando com mais ou menos um mês de vida, fui para a visita de rotina e ela estava acordada. Desde seu nascimento nunca mais a tinha visto chorar, quando estava indo embora ela chorou baixinho e eu tinha que deixa. Fui embora com o coração apertado. Só com dois meses de UTI pude sentir o cheirinho de minha filha e o seu calor no meu colo. Foi o voo da borboleta! Segurei-a com uma mão a cabecinha e com outra o bumbum ficando livres seus bracinhos, para ela bater pra lá e pra cá como se fosse voar!

Alguns dias depois fui surpreendida, tinha chegado o dia... agora poderia amamentar! Fiquei muito feliz e com medo afinal aquele oxímetro era um bicho papão. O grande dia chegou! Era 6 de julho de 2009, após 75 dias de internação minha filha teve alta. Enfim poderia levar minha pequena guerreira para casa, um momento tão sonhado! Ela saiu da maternidade com 1,995 quilos e 43 centímetros.

Deveríamos ter muito cuidado e acompanhamento com especialistas: cardiologista, neurologista, fisioterapeuta, oftalmologista, neonatologista e pneumologista. Tudo foi seguido à risca. Ficou sem visitas por dois meses após alta. Eram recomendações médicas, ainda bem que os familiares e amigos entenderam. Afinal era para o bem dela. Sua imunidade era praticamente zero e em tempos de gripe h1n1 e inverno não dava para brincar.

Meu esposo e eu chegamos a dar leite materno no conta gotas, ela não tinha força para sugar e quando se esforçava ficava cianótica. Mas tudo passou e ela foi pegando mais resistência e se desenvolvendo. Pronunciou vovó com seis meses, sentou entre sete e oito meses, logo em seguida começou engatinhar e com um ano e seis meses finalmente andou.

Hoje ela só mantém acompanhamento com neurologista, pediatra e pneumologista. Completará dois aninhos nesta sexta-feira, dia 22 e é uma criança normal. Anda, fala, corre, faz muita arte, graças a Deus! Não tenho as duas bebês mas tenho uma que vale por duas, é uma criança muito ativa. Hoje ela esta pesando 10,300 quilos e 84 centímetros. Foi muito gostoso quando ela pronunciou mamãe pela primeira vez...

Gabriela Vitória com 2 aninhos!

Os momentos difíceis passamos na UTI nós superamos mas não vamos esquecer jamais. É um momento em que estamos fragilizados e temos que encontrar forças para dar força para nossos pequenos. Aprendemos a conhecer sentimentos até então não conhecidos dentro de nós. É um misto de medo e insegurança e nós apegamos a outras mães e pais, trocamos experiências, rezamos e descobrimos verdadeiros laços de amizade. Além do real sentido da vida. Amizades essas que trago comigo até hoje. Para finalizar gostaria de agradecer imensuravelmente a Deus, em primeiro lugar, e aos deuses que são os médicos.

Agradeço toda a equipe médica que faz parte da UTI Neonatal do Hospital e Maternidade Santa Brígida, pelo profissionalismo, cuidado e atenção prestada a nós. Posso dizer com toda certeza que sem eles não teria minha princesa viva em meus braços. Muito Obrigada!!!



Editado por Monica mãe de Beatriz

Quer ler aqui a história de seu bebê? Mande um e-mail com fotos e autorização para: pequenosguerreiros@hotmail.com.
Todas as hstórias são editadas antes de serem postadas.
O Projeto Pequenos Guerreiros apoia a amamentação do prematuro ao seio.

2 comentários:

  1. Linda, sua história...parece um pouco a minha ainda não consigo escrever a minha pois, ainda estou vivendo o drama da UTI NEO (36dias)...Td p\ vcs!!! Espero vencer também.

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  2. É realmente impressionante o que passamos pelos nossos anjinhos... estou com Ana Luiza a 13 dias na UTI Neo em BSB ela nasceu com 25 semans e 06 dias apesar da dor e angústia temos muita fé em Deus e aguardamos a sua melhora ansiosamente...

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