segunda-feira, 21 de março de 2011

Valentina e mamãe Michele em: Prematuro, a luta pela vida

Assim como muitas outras mamães, não conheço a Michele pessoalmente. Após a criação do Projeto, entramos em contato algumas vezes por e-mail e Orkut. A história de Valentina é, dentre inúmeras histórias emocionantes, uma das que mais me toca, dada a valentia (como a mamãe conta abaixo, origem do seu nome) da Pequena Guerreira de Erechim.


A bravia e famosa Valentina foi matéria em diversos meios de comunicação da sua região. Pudera, a mocinha viajou até de avião durante sua jornada de recuperação! Abaixo, o vídeo do Jornal do Almoço, da RBS Tv RS. Em seguida, o emocionante depoimento de Michele, a valente mamãe da Valentina.


"Eu e meu esposo resolvemos ter um filho no início de 2006, após o episódio traumático da perda de meu pai. Porém, quando fui fazer a ultrassonografia morfológica descobri que o feto estava sem vida. Fui submetida a uma curetagem, foi muito triste, pois queríamos tanto aquele neném.

Passados alguns meses queríamos tentar novamente. Como não engravidei logo, o médico me receitou um remédio estimulador de ovulação e no mesmo mês engravidei. Para nossa felicidade de gêmeos! Porém logo que foi feita a primeira ultrassonografia o médico nos avisou que um dos bebês não estava crescendo e possivelmente na próxima ultrassonografia não iria acusá-lo mais.

Na segunda ultrassonografia, como o previsto, acusou somente um neném. Já estávamos preparados para isso, ainda assim ficamos radiantes de felicidade pela criança que viria. Tudo ia muito bem até que, na ultrassonografia para ver o sexo do bebê, apareceu que não estava ganhando peso. Passou o tempo, o bebê menor que o normal mas como o resto parecia bem. O médico nos disse que iria nascer com menos peso que os outros, o que não nos preocupava muito.

No dia 26/07/2007, voltei do trabalho às 18h30 e como não havia me sentido bem durante o dia todo, resolvi tomar um banho e ir deitar. Logo que deitei e me mexi na cama levei um susto! Estava tendo uma grande hemorragia. Fiquei tão desesperada que não sabia a quem chamar para me socorrer, já que meu marido estava trabalhando até mais tarde. O único telefone que encontrei foi do meu irmão que não sei como veio tão rápido e me levou para o hospital.

No pronto-socorro, ligaram para meu médico que por azar estava em férias, mas que voltaria de viagem naquela noite. Através dos exames clínicos viram que não havia dilatação. Ficamos mais tranqüilos, pois o bebê não iria nascer e seus batimentos estavam normais.

No dia seguinte pela manhã, meu médico veio e marcou uma ultrassonografia com Doppler. Após o exame, me informou que faria a cesárea de emergência na manhã seguinte, dia 28/08/2007. O bebê não estava ganhando peso. Pelo contrário, estava começando a perder e se não fizéssemos o parto ela morreria. Deveríamos dá-la uma chance de viver mesmo que fosse quase impossível, pois era muito pequena.

Acho que foi a pior noite da minha vida. De hora em hora auscultavam o coraçãozinho, sempre forte, e que em poucas horas poderia não estar mais batendo.

Então às 11h do dia 28/07/2007 veio ao mundo minha pequena Valentina. Nome escolhido em razão da situação em que se encontrava. Nasceu com 28 semanas de gestação, pesando 470 gramas e 24 centímetros.

Fui para a sala de recuperação sem saber se ela estava viva, já que não nos deram esperanças. Só soube que estava viva quando fui para o quarto e meu marido me trouxe uma foto dela. Assim que pude fui vê-la. Quando cheguei perto da incubadora tive um choque! Não imaginava que era tão pequena. Mas no mesmo momento tive a certeza que ela iria para casa comigo.

Veio a alta e que tristeza ir para casa e não levar o bebê. Mesmo contra indicação médica, no quinto dia depois dela nascer, já dirigia, subia e descia as escadas, pois não conseguia ficar em casa longe do meu bebê.

Cada vez que encontrava o pediatra ele me dizia cada dia era um dia, que não podiam dar previsões e que poderia haver sérias sequelas. Ela era muito pequena e aqui em Erechim, Rio Grande do Sul, nenhum bebê sobreviveu pesando apenas 470 gramas.

Os dias foram passando e a Valentina sempre forte superando tudo! Pneumonias que quase a mataram, uma infecção muito forte e até retinopatia da prematuridade, que caso não fosse operada, logo a deixaria cega. O que fazer se na cidade ninguém fazia esta operação e o pediatra só liberaria se fôssemos num avião com UTI móvel?

Conseguimos o tal avião e lá fomos nós duas, no dia 12/10/2007, para Porto Alegre fazer a cirurgia. Antes de partirmos, as enfermeiras nos deixaram pegá-la no colo, acho que tinham medo, assim como nós, de que ela não aguentasse a viagem. Foi tão maravilhoso poder beijá-la e sentir seu cheiro...

Em Porto Alegre vivi uma experiência maravilhosa! Até então ela estava entubada, e ao chegarmos, tiraram-na do oxigênio e eu a vi chorar pela primeira vez. Quanta emoção! Passados três dias, voltamos. Ela estava muito bem. Depois desta cirurgia, ela só precisava ganhar peso.

Que susto quando me ligaram do hospital para dizer que deveria fazer a minha mala e a dela, pois passaria alguns dias na UTI para adaptação com ela! Quanta felicidade quando cheguei lá e ela estava me esperando numa incubadora dentro do quarto da UTI. A partir daquele momento ficaria sob minha responsabilidade.

Foram quase trinta dias de adaptação. Acho que virei um pouco enfermeira. Abandonei minha casa, minha família e meu trabalho. Quanta felicidade quando, no dia 13/12/2007, o pediatra disse que nos daria alta! Teve até festa no hospital, pois ninguém estava imaginado que isso fosse acontecer. Foi o dia mais feliz de nossas vidas!

A minha princesa veio para casa, com sonda para alimentação, pois não tinha força para sugar. No outro dia, que decepção. Quando fui alimentá-la a sonda trancou e tivemos que voltar para o hospital para trocar. Durante esta troca, o leite para os pulmões, fazendo uma pneumonia por sucção. Quanto desespero e tristeza quando a pneumo-pediatra nos disse que teríamos que ficar lá por mais sete dias.

Passados os sete dias, fomos para casa com a tal sonda. Após quinze dias, fomos ao pediatra para retirar a sonda para que Valentina aprendesse a mamar. Conseguimos! Mais uma vitória!

Após tudo isso, nos restava somente a incerteza de alguma seqüela, como não falar e não caminhar. Fizemos muita fisioterapia motora para incentivá-la. Com 1 ano e 8 meses começou a caminhar. Nem o pediatra acreditava nisso, foi mais uma festa como todas que fizemos a cada conquista dela! Foi notícia em jornais, rádios e televisão, programas como Jornal do Almoço.

Hoje a minha Valentina, que passou tantas, que quase ninguém acreditava na sua vitoria, está com 3 anos e 7 meses. Tem 9 kg e 86 centímetros. O seu peso ainda nos preocupa. Mas o pediatra nos diz que é normal por tudo o que passou e o que importa e que ela está bem. Caminhando, falando como um papagaio e por incrível que pareça com um português quase correto. Começando a ir para a escola e, principalmente, sem nenhuma seqüela, contrariando a medicina para prematuros desta linha de peso. Ela é tão linda! E a razão de nossas vidas.

Não voltei a trabalhar. Os meus dias são para ela. Tenho até ciúmes quando as pessoas querem pegá-la. Sou fascinada por ela. O pai então, todo babão! Ela é o que há de mais importante em nossas vidas. Hoje o que eu posso fazer é agradecer. Agradecer a equipe de enfermagem, que foram como mães para ela. Ao pediatra que é um segundo pai e sempre esteve conosco nos momentos mais difíceis. Ao obstetra que soube fazer a coisa certa na hora certa. A todos os familiares e amigos que rezaram e torceram por nós. Ao papai da Valentina que sempre esteve ao meu lado e que, mesmo sofrendo muito, me apoiou em todos os momentos. A Deus, a Quem pedi tanto para deixá-la comigo. E à pequena Valentina que lutou tanto, pois pedi que ela lutasse para ficar comigo, pois tinha e tenho tanto a oferecer a ela.

A todos que estão passando por este momento eu posso dizer tenham esperança. Acreditem e nunca, mas nunca mesmo, deixem que esses pequenos os vejam tristes ou chorando, pois tudo passa para eles. Jamais pensem em desistir. O que não me faltou ouvir foi pessoas dizendo coisas como: melhor que ela vá, vai ficar muito sequelada, é impossível, mas em nem um momento isto me abalou. Por isso volto a dizer nunca desistam, enquanto há vida, há esperança!

Reflexões de Mãe
Como se esquece? Esta pergunta faço quase todos os dias… E já passaram 3 anos e 7 meses… Em cada olhar e sorriso, em cada birra e choro, as recordações regressam sempre. As dúvidas de ontem, as certezas de hoje… Tornaram-me no que hoje sou: Mãe! O peso e a responsabilidade desta pequena palavra. Quando olhas para mim, com o teu doce e malandro olhar, o desafio constante e o amor inexplicável que mutuamente sentimos. A química existente não há formula matemática que a traduza… Olhas para mim como se fosse capaz de consertar tudo o que está mal no mundo, entregas-me tudo o que se parte, como se fosse capaz de arranjar tudo, e não compreendes que nem tudo tem solução. Embora eu me esforce para encontrar solução para todos os teus pequeninos problemas. Pergunto-me todos os dias se esta ligação existiria se tudo tivesse sido diferente… Talvez sim, ou não… A tranqüilidade talvez fosse outra, o medo talvez fosse outro… Como se esquece? Ainda não encontrei resposta. O tempo talvez ajude. Esta é a resposta que convenientemente todos me dão. Vou deixar de procurar respostas! Se calar não é para esquecer… Mas sim aprender! A Vida é uma aprendizagem, e maior lição de vida aprendi com a minha filha! Nunca esqueçam foram 470 gramas de amor e determinação, que hoje se transformaram em vários quilos de amor, teimosia, sorrisos… Para o grande amor da minha vida que já tem 3 aninhos e torna os meus dias mais alegres, agitados, cansativos e felizes."


Depoimento editado por Monica mamãe de Beatriz
Autorizado e enviado por e-mail


***a imagem enviada ao site Ocioso.com.br foi retirada de sites de busca da internet NÃO é uma imagem da Pequena Guerreira Valentina

8 comentários:

  1. Achei uma história linda! grande guerreira a criança e a familia! Realmente emocionante!Parabéns!

    ResponderExcluir
  2. Sou enfermeira e trabalho em UTI pediátrica. Mesmo vivenciando isso todos os dias,desde o mais simples "passar de sonda", até paradas cardíacas, é emocionante ver o depoimento da mãe. As vezes nos apegamos e quando os bebês recebem alta ficamos felizes e tristes pois sentimos saudades, e muitas vezes desejo ver o bebê futuramente, saudável, pena que na maioria das vezes não vemos, e são pouquissimas as mãezinhas que antes de ir embora, dão uma passadinha na UTI pra agradecer ou mesmo pra dar tchau. Meu trabalho é muito graificante, parabéns Valentina, um cheiro da titia.

    ResponderExcluir
  3. Que estória maravilhosa!!! Estou passando por uma situação semelhante. Minha bebê também está abaixo do peso e a médica já disse que será prematura. Estou com 27 semanas e provavelmente ela esteja perto dos 600g ou talvez um pouco mais. Fiquei aliviada em saber que a Valentina está linda e pesou bem menos. Me deu muita esperança!!!! Parabéns por esta vitória!!!!

    ResponderExcluir
  4. Estou vivendo uma situação semelhante: Meu bebê teve restrição de crescimento intra uterino, até agora não sabemos a causa. O líquido amniótico começou a reduzir, fui internada, pois teria que interromper a gestação, mesmo com o bebê pesando bem menos de um quilo. O último dopler acusou Oligohidramnia severa, tiveram que fazer o parto sem vaga na UTI. Meu Davi nasceu pesando 710 gramas, ficou três dias esperando a vaga na UTI, e está lá há 10 dias. Ontem fiquei sabendo que depois da parada cardíaca que teve, ele convulsionou, e agora está com infecção. Querem tirar o aparelho pois temem que além de tudo ele desenvolva pneumonia. Estou com muito medo, mas sabia que tudo isso aconteceria, só peço à Deus que ele seja tão forte quanto a Valentina e consiga resistir. Michele, parabéns pela Valentina, ela é linda, um encanto de menina. Que Deus continue abençoando vocês.
    Forte abraço,
    Dinha, mãe do Davi!

    ResponderExcluir
  5. Hoje a minha Valentina está com 5 anos e 3 meses. Ë uma crianca sem sequela alguma. Já está sendo alfabetizada, indo para o primeiro ano do ensino fundamental. A unica coisa é a sua baixa estatura, mas para tal toma diariamente injecoes do hormonio do crescimento. É uma crianca muito ativa, brincalhona, sorridente, manhosa, faladeira, emfim minha bonequinna....

    ResponderExcluir
  6. Passei por uma situacao parecida em 2009. Minha bebe nasceu com 26 semanas pesando 0,585 gramas e 29cm. Gracas a Deus venceu todos os obstaculos da prematuridade e hoje com 3anos e4meses e muuuuito sapeca e nao tem nenhuma sequela. Essas criancas sao muito abencoadas por DEUS.
    Daniela - mae da Maria Fernanda
    E-mail nicolletti@gmail.com

    ResponderExcluir
  7. parabens linda filha.........

    ResponderExcluir
  8. Que linda essa menininha . Uma guerreira.
    Minha sobrinha nasceu de cinco meses com apenas 600 gramas isso sem contar as gramas que ela perdeu. Foi uma luta. Parada cardiaca , infecsoes e etc ... Mas ela venceu tudo isso e veio pra casa com agente. Ja faz um mes que ela ta em casa , acabou de fazer cinco meses, mas infelizmente ela broncoaspirou leite e teve que ficar internada denovo. Mas minha princesinha ja ta bem e com previsao de alta. Esses bebezinhos prematuros sao guerreiros o que tem de pequeno tem de força!!! E para as mamaes que tem bebe prematuro digo para nao desanimar e manter a fé por que hoje em dia com todos os recursos eles podem sim viver! Vir ao mundo tao pequenininhos para fazer agente feliz. ! Verdadeias bençaos !

    ResponderExcluir

LinkWithin

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...